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23 de maio de 2024

Em encontro do Novo, Zema diz querer apoiar nome que una a direita em 2026

O ousado plano do partido Novo para as eleições municipais em Santa Catarina teve o pontapé inicial neste sábado, na quarta conferência estadual da sigla, em Balneário Camboriú. Expoentes da legenda, entre eles o presidente nacional, o catarinense Eduardo Ribeiro, o presidente estadual, Khalil Zattar, e o governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema. A cerimonialista foi a vice-prefeita de Joinville, cidade vitrine do partido no Estado, Rejane Gambin.

O evento iniciou às 10h com a apresentação do balanço das vagas conquistadas pelo Novo nas eleições de 2018 – e uma projeção contundente da ampliação das cadeiras em 2024. Durante a fala, Khalil declarou a pretensão de eleger prefeitos nas 3 das 4 maiores cidades catarinenses – Joinville, Florianópolis, Blumenau e São José; além de disputar também nas cidades de médio e pequeno porte. Além disso, a expectativa de quadruplicar o número de vereadores filiados em 30 das maiores cidades do Estado também caminhará na mesma ótica.

Na ocasião esteve presente o grande nome do Novo no país, o governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema, que desconversou as especulações sobre uma possível candidatura à presidência da República em 2026.

– Acabei de ser reeleito governador de Minas Gerais. Minha meta, meu compromisso é consertar muitos dos problemas que o Estado ainda tem. Vejo como 2026 algo             muito distante, mas já disse que apoiarei um nome que venha a unir a direita no Brasil. Esse nome será definido no futuro, e gostaria muito mais de apoiar do que ser este nome.

Em 2020, foram lançados 88 candidatos de seis municípios catarinenses, por orientação do diretório nacional. Rendeu a eleição do único prefeito eleito pelo partido: Adriano Silva, em Joinville, cuja aprovação motiva a expansão do Novo na disputa para abocanhar outras prefeituras pelo Estado.

Segundo levantamento apresentado, a popularidade da sigla é mais acentuada na rota que leva da Grande Florianópolis a Joinville. Nestas cidades, as nominatas estão sendo montadas para contemplação ainda neste ano.

Mas para além dos polos tecnológicos e grandes cidades se dará pelo trabalho de base – o recrutamento de nomes inexperientes na política e a adoção de nomes consolidados na política estadual, e também pela formação de uma juventude partidária que atue para formação de militância; e, para isso, o planejamento de uma campanha para atrair os jovens à política.

– [Para] se dedicar a estar nas escolas, universidades, para trabalhar o jovem desde pequeno para mostrar que há outra maneira de fazer política. Não é doutrinação, é mostrar o lado da meritocracia, das ideias que dão certo no mundo inteiro. Achamos que no curto, médio e longo prazo será essencial para formar novas lideranças em Santa Catarina – disse Khalil.

Ainda, como maneira de atingir cidades menores, em que a tutela do Estado se faz essencial à matriz econômica, o presidente estadual aposta na difusão dos ideais partidários do Novo e num histórico “empreendedor” de Santa Catarina para conquistar o eleitorado.

– Santa Catarina sempre foi um Estado muito empreendedor. A cultura dos imigrantes que aqui vieram sempre foi de muito trabalho, empreendedorismo, abertura de empresas. Muito pouco se fez aqui pelas mãos do Estado. Não existiram muitos planos de desenvolvimento responsáveis pelo Estado. Temos uma mania de achar que é o Estado que gera o desenvolvimento, sendo que ele barra o desenvolvimento. Cria amarras no setor privado que vão impedir que as empresas cresçam e deem emprego e renda para a população.

Segundo Eduardo Ribeiro, empresário catarinense que preside nacionalmente o partido, o rumo seguirá na revisão da identidade do Novo desde a troca de comando no diretório. Com a saída de João Amoêdo, críticas mais contundentes ao Judiciário, ao governo federal e ao Partido dos Trabalhadores têm ocupado mais tempo de tribuna durante as falas dos representantes – sobretudo de Marcel Van Hattem, deputado federal gaúcho também presente na reunião.

Essa mudança de tom, no entanto, não representaria uma estratégia eleitoral para cativar setores da direita alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas sim uma coerência ideológica da própria entidade como possuidora de um estatuto próprio.

– Certamente não é uma estratégia eleitoral, é uma coerência com aquilo que sempre pregamos e defendemos. Entendemos que nos últimos anos houve um abuso do Judiciário, temos inquéritos sigilosos que ninguém sabe [do que se trata] e fica todo mundo com medo. O Marcel citou hoje na CPI do abuso de autoridade, por exemplo, pois se criou um ambiente de medo. Se nossos parlamentares estão com receio, algo está muito errado, pois ninguém aqui tem teto de vidro, ninguém deve nada para a Justiça. Se nós não temos coragem de falar, como o cidadão vai ter?

Muito foi falado, também, sobre a renovação dos setores e da base partidária. O secretário-adjunto Tiago Mitraud, em discurso, afirmou que as portas estão abertas não apenas a políticos de carreira insatisfeitos com suas legendas, mas também há disposição para abraçar novos membros “independente da experiência política”. Não há preocupação por parte de Ribeiro de que a inexperiência seja empecilho durante o ofício político de possíveis novos eleitos.

– Essa é a importância da blindagem institucional partidária. Queremos trazer pessoas para o Novo para garantir a elas a chance de serem candidatas, evidentemente que têm que estar alinhadas com nossos princípios ideológicos, ter um preceito ético que entendemos que é o correto e necessário pra política. Uma vez eleita ela não precisa saber de tudo como funciona, teremos a instituição para ajudá-la, temos mandatários para aconselhar, temos uma fundação se estruturando para aconselhar. É um momento diferente do partido.


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Créditos: Jean Carlo da Luz

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