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15 de abril de 2024

Investigado, novo secretário de Administração Penal gera primeiro desconforto da gestão Jorginho

Anunciado como novo secretário de Administração Penal, o vereador Jeferson Cardozo, conhecido como Atalaia, é o primeiro nome a gerar reações negativas no secretariado do governador Jorginho Mello (Partido Liberal). Atalaia foi preso preventivamente em operação do Gaeco em 2019, quando teria usado a condição de policial penal para atrapalhar investigações sobre um suposto esquema de cobrança de propinas em exames de habilitação de condutores.

Filiado ao Partido Liberal, vereador em Jaraguá do Sul, agente prisional e dono de autoescola, Atalaia coleciona polêmicas.

Em seu canal no YouTube, diversos vídeos acusam pastores, igrejas e figuras públicas de conspirar em seu desfavor, assim como atuariam para manipular resultados eleitorais nos poderes Legislativo e Executivo de municípios catarinenses.

À época da prisão preventiva, era sócio da autoescola Sinal Verde, uma das quatro denunciadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (Mp-SC) na operação Sinal Vermelho. Jeferson teve mandado de prisão preventiva expedido em uma segunda etapa da investigação por suspeita de corrupção ativa e organização criminosa em conjunto com o policial civil Jonas Bonifácio, acusado de ser o líder do suposto esquema.

Em entrevista à Ocp News, Márcio Cotta, procurador do Mp-SC, explicou que Jeferson estaria tomando vantagem de seu ofício como agente penitenciário para conversar privadamente com Jonas, então encarcerado no presídio regional de Jaraguá do Sul, para brecar e confundir as investigações. Em razão disso, sua ordem de prisão foi cumprida dentro da própria delegacia. O agora secretário de administração prisional foi preso no presídio regional de Blumenau.

– Várias vezes viram os dois conversando reservadamente. Diante desta informação, solicitei informações ao presídio e eles pegaram as imagens capturadas, encaminhou ao Ministério Público e, diante disto, com as informações de que ele estaria tentando atrapalhar o andamento do processo e a colheita de provas, foi decretada a prisão preventiva dele -.

Nesta denúncia, caracterizada como prevaricação, o secretário está absolvido. Segue, no entanto, a denúncia do Mp-SC sobre cobrança indevida nas autoescolas. Cardozo mostra confiança na absolvição, dizendo ser apenas cotista da empresa, participando de somente 1% da sociedade.

– Após falecimento do meu irmão, em 2015, meu pai botou 1% da empresa no meu nome. Mas eu já era policial penal, era apenas cotista. Em 2018 aconteceu esse episódio da autoescola e fui chamado como testemunha para prestar esclarecimento. Em janeiro, ocasionou de eu virar réu nesse processo e resultou numa prisão que não tem nada a ver com o processo das autoescolas – disse, em referência às investigações de prevaricação.

Jeferson também tem histórico de conflitos com alguns pastores, igrejas e congregações que chama de “magna convenção”. Trata-se da Convenção das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná (Ciadescp) que, segundo o ex-parlamentar, atuariam para eleger representantes em prefeituras e câmaras municipais de Santa Catarina. Em um dos vídeos, utiliza trecho atribuído ao presidente da Convenção das Assembleias de Deus do Brasil para acusa-lo de utilizar a igreja para “politicagem”.

Na filmagem, o pastor aparece dizendo que “a verba só vai para o prefeito por intermédio de um pastor da Assembleia de Deus”.

– De uma certa forma, utiliza dos recursos recebidos em mesas parlamentares para angariar voto. É o que a maioria dos deputados faz por aí. Não tem serviço prestado, não tem um trabalho de relevância, mas pegam emendas parlamentares e dizem que tem uma quantia para injetar em prefeituras a troco de voto, de apoio político. Então os líderes das grandes convenções controlam o político, onde quem determina para onde vai o investimento é o líder evangélico – disse Jeferson em um dos vídeos.

Com atuação intensa nas redes sociais, o vereador fez oposição à gestão de Antídio Lunelli (Mdb) como prefeito de Jaraguá do Sul. O emedebista foi eleito deputado estadual e assume o cargo em fevereiro. Atalaia também atacou o deputado estadual reeleito Marcos Vieira (Psdb) por posicionamento em relação a projeto de interesse da categoria dos policiais penais.

O governo estadual também não apresentou posição quando questionado. O Mp-SC confirma que as investigações que motivaram a prisão preventiva do futuro secretário continuam em andamento. No Diário Oficial do Estado desta segunda-feira, o nome de Jeferson Cardozo ainda não constava entre os secretários nomeados.


Sobre a foto em destaque:

Foto: Cristiano Andujar, Secom-SC.

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