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15 de julho de 2024

Políticas Públicas para Mulheres: A voz e a vez da maioria. Por Lidianna Scarrone

Lidianna Scarrone escreve artigo sobre a importância das políticas públicas para mulheres em Florianópolis, enfatizando a necessidade de equidade, combate à violência, e apoio à saúde e autonomia feminina, com exemplos de iniciativas locais que promovem igualdade de gênero e proteção às mulheres.

É no colo das mulheres que vive o futuro de todos nós. Mulheres adoecidas, adoecem a economia e criam filhos doentes. Representamos cerca de 51,5% da população brasileira, e somente aqui em Florianópolis representamos 52,12% da população. 

Quando pensamos em economia, direta e indiretamente somos fortes pilares de sustentação, e independentemente do nível de escolaridade nossos salários ainda são 20% mais baixos. Segundo o IBGE, vivemos em média 7 anos a mais que os homens, mas pior. Além de ocuparmos o sétimo lugar em um ranking de 84 países como o país em que mais mulheres são vítimas de violência. 

É estarrecedor, revoltante e estrutural, infelizmente. Faz-se necessário evidenciar a importância de políticas públicas para mulheres para transformar a lógica hegemônica de poder e hierarquia que fomenta as desigualdades. Tudo isso para “ontem”. Entretanto, sabemos que mudar padrões estruturais requer tempo e persistência. 

Requer também que falemos a mesma língua ou que pelo menos tentemos pelo bem de todos. Isso implica em definir prioridades e estratégias que validem as mulheres como agentes ativas, reforçando seu poder e diminuindo sua co-dependência estrutural. Florianópolis, felizmente, tem sido modelo e também pioneira quando o assunto é criação de Políticas Políticas para Mulheres e Igualdade de Gênero. 

Vale ressaltar que não caminha sozinha, mas sim com apoio de diversos órgãos públicos, secretarias, empresas privadas e população civil. Palestras em escolas como “Maria da Penha vai à escola”, capacitação para estabelecimentos comerciais como o “Protocolo Não se Cale”, grupos reflexivos como o “Projeto Espelhos” e “Projeto Ágora”, são apenas algumas iniciativas para prevenir e transmutar a problemática da violência contra as mulheres. Temos a Policlínica da Mulher e da Criança, localizada no centro da capital. 

Um espaço acolhedor que recebe mulheres e crianças por intermédio das Unidades de Saúde e fornece atendimentos realizados pela equipe de enfermagem e especialistas focais além do horário comercial. Também na Policlínica temos salas de apoio à amamentação e a sala “Mulher trabalhadora que amamenta” para incentivar e firmar que mais mulheres possam amamentar mesmo estando no mercado de trabalho. Recentemente, foi inaugurado o Multi-Hospital, o primeiro Hospital Municipal da cidade, situado no Sul da Ilha, que contará, dentre diversos serviços, com o Espaço Acolher Floripa. 

O Espaço Acolher Floripa será a porta de entrada para as pessoas vítimas de violência receberem o acolhimento, informações e todo o suporte necessário em um só lugar, uma vez que também teremos a Polícia Científica e Polícia Civil em anexo, com objetivo de evitar a revitimização e peregrinação dessa vítima. 

Temos muito a aprender e desenvolver, é claro, mas os primeiros passos são dados todos os dias. É legítimo, portanto, que comecemos por uma educação respeitosa, igualitária e despretensiosa. Faz-se necessário impulsionar a autonomia feminina desde a infância e conscientizar os meninos sobre misoginia e respeito. 

É legítimo que comecemos a pensar em um mercado de trabalho onde o termo igualdade deva ser utilizado em conjunto com o termo equidade. No âmbito da saúde, é fundamental que tenhamos acesso à informação, à prevenção e a tratamentos humanizados, respeitando a vulnerabilidade que muitas vezes as mulheres encontram. 

Que tenhamos programas de acolhimento às mulheres vítimas de violência, mas também grupos e programas de conscientização aos agentes causadores dessa violência. Que tenhamos mais representatividade política. Mulheres se candidatando e mulheres votando em mulheres. 

É fato que grandes conquistas podem ser atribuídas, pelo menos em parte, a políticas públicas que promovam mais igualdade de gênero. Por isso, seguimos!

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