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15 de julho de 2024

Com promessa de concluir lote da BR-470 em 100 dias, pacote de Lula é recomeço da relação com SC

Existe algo muito raro em política: a segunda chance. A vitória de Lula (Pt) na eleição presidencial deu aos petistas essa raridade em relação à possibilidade de construir uma relação melhor com Santa Catarina. Quando se fala em infraestrutura, por exemplo, a marca que ficou dos mandatos de Lula e Dilma Rousseff geralmente ignora a conclusão da BR-101 Sul, com a magnífica Ponte Anita Garibaldi em Laguna. O foco costuma ser a reiterada e não cumprida promessa de duplicação das BRs 470 e 280, no Vale do Itajaí e no Norte do Estado.

Ambas as obras também não foram concluídas nos governos de Michel Temer (Mdb) e Jair Bolsonaro (Partido Liberal), mas nenhum deles encheu suas margens de outdoors garantindo a conclusão e nem prometeu terminá-las em dois anos – como fez Dilma, ainda ministra da Casa Civil em 2008, em Joinville, em relação à BR-280. Por isso, o anúncio de um pacote de R$ 1,7 bilhão para obras de infraestrutura para os primeiros 100 dias do novo governo Lula, na quarta-feira, gerou expectativa sobre o que caberia a Santa Catarina.

Ao primeiro olhar, e ainda ressabiado de tantas promessas, é possível dizer que o pacote está muito aquém do que Santa Catarina precisa, mas é um importante primeiro passo. A principal promessa é concluir o lote 1 da BR-470, entre Navegantes e Ilhota, até abril – o ponto central do pacote. A obra só avançou realmente no governo Bolsonaro quando o ex-governador Carlos Moisés (Republicanos) decidiu aportar recursos do Estado em obras de responsabilidade federal – enfrentando dificuldades políticas geradas pelo tecnicismo do então ministro Tarcísio de Freitas (hoje governador de São Paulo, do Republicanos) e pela resistência política de Jorginho Mello como senador e futuro adversário de Moisés nas urnas.

Com o anúncio do ministro Renan Filho (Mdb), agora cabe a todos fiscalizar essa retomada de ritmo das obras com dinheiro federal. Para além da BR-470, são citadas no pacote outras quatro rodovias vitais para Santa Catarina, embora sem a mesma ênfase. As BRs 163 (no Extremo Oeste) e 282 (do Litoral ao Extremo Oeste) são citadas como rodovias que terão obras de alargamento e construção de terceiras faixas. Sobre monitoramento para emergências, especialmente em relação às chuvas, entram a BR-282 e também a BR-280 (no Norte) e BR-470.

Renan Filho também falou sobre rodovias sob concessão e o pacote prevê visita às obras de construção do Contorno Rodoviário de Florianópolis. Quando ministro, Tarcísio também fez essa visita – é uma obra que impressiona e avança longe dos olhos do público, por isso rende bons posts em redes sociais. Mas não há novidades, apenas a expectativas de conclusão por parte da concessionária Arteris, que é dezembro deste ano. Se quiser se poupar de uma visita oficial sem entregas, o ministro pode conferir o vídeo produzido agora em janeiro pelo senador Esperidião Amin (Progressistas), em seu 33º relatório de acompanhamento das obras da concessionária. Ali estão apontados os trechos em que a obra avança bem e os que preocupam.

Como disse antes, o pacote é um primeiro passo importante na relação entre o governo federal petista e um dos Estados mais antipetistas do Brasil. Essa condição não nasceu de forma aleatória, apenas por conta do conservadorismo político da região. Lula venceu em Santa Catarina em 2002, com o maior percentual do país no primeiro turno. Boa parte das cidades do Vale do Itajaí, hoje extremamente bolsonaristas, já elegeram prefeitos do Pt – Décio Lima, eleito e reeleito em Blumenau em 1996 e 2000, é o exemplo eloquente. A segunda chance veio, vamos ver como os petistas aproveitam.

Nesse sentido, é interessante observar quem será escolhido para comandar o Dnit em Santa Catarina. O partido parece ainda não ter percebido o peso político dessa escolha e sinalização que será dada quando ela for feita. Não existe cargo federal mais importante – e de mais visibilidade – no Estado neste momento. Não é à toa que o Mdb catarinense quer participar dessa discussão, aproveitando que o ministro da Transportes é emedebista. Acertar um nome que garanta confiança de que Santa Catarina verá essas obras históricas saírem do papel é o segundo passo nessa reconstrução da relação entre Lula e os catarinenses.


Sobre a foto em destaque:

Obras da BR-470 em 2019. Foto: Alberto Ruy, Ministério da Infraestrutura.

 

 

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