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19 de abril de 2024

Filiação de Salvaro ao PSD foge da lógica e abre perspectivas para ambos em 2026

Pela lógica política, as únicas filiações que fariam sentido em 2023, um pré-eleitoral, seriam aquelas balizadas pela polarização política nacional. Ou seja, um político de direita migrando para o PL de Jair Bolsonaro, um político de esquerda buscando o PT de Lula. A ida para qualquer outra legenda poderia esperar março de 2024, quando o tabuleiro político estará mais claro para as eleições municipais – e também sobre os destinos da política nacional.

Esse é um dos motivos que torna mais impressionante a jogada de Clésio Salvaro e do PSD ao unirem seus destinos na última sexta-feira quando prefeito de Criciúma assinou sua nova ficha partidária, encerrando uma trajetória de 20 anos no PSDB.

Salvaro deixa um partido que se esfacela nacionalmente desde que perdeu a condição de antípoda do projeto de poder do PT. As sucessivas derrotas nas eleições presidenciais e a ascensão de uma direita conservadora que não tem medo de se apresentar assim deixaram os tucanos obsoletos para o antipetismo e sem função em um tabuleiro que ainda não mostrou o espaço de jogo do centro político. Para ambição de disputar a eleição estadual em 2026, o PSDB não dava futuro a Clésio, ao mesmo tempo que o PL – destino natural de um antipetista – já está congestionado no Sul e tem o governador Jorginho Mello como candidato óbvio à reeleição.

Os pessedistas conquistaram o político eleitoralmente mais expressivo do Sul catarinense, dono de votações exuberantes e consistentes nos últimos 15 anos. Em Criciúma, Salvaro não é uma onda. No entanto, talvez o maior ganho da filiação do ex-tucano ao partido seja o sinal que é enviado para as demais regiões do Estado. O PSD traz para a legenda uma importante expressão eleitoral em um momento em que elas não estão apostando em migrações para siglas tradicionais ou mais ao centro. MDB e Progressistas, os exemplos mais eloquentes, tem mostrado dificuldades na atração de lideranças desse porte. Assim, é como se o PSD enviasse uma ampla mensagem de que pode ser a alternativa em 2026 uma nova disputa entre PL e PT, como aconteceu no segundo turno de 2022 entre Jorginho e Décio Lima.

Os pessedistas tem a missão de reeleger Topázio Neto em Florianópolis e João Rodrigues em Chapecó, além de manter bases importantes como Rio do Sul, onde o prefeito José Thomé cumpre o segundo mandato. Também precisa se encaixar em um projeto competitivo em Blumenau e Joinville, onde buscam renovar as lideranças. O sucesso em 2024 é fundamental para encaixar 2026, mas o caminho parece menos tortuoso que o de emedebistas e progressistas.

Há questões a encaixar, principalmente em Criciúma. Salvaro chega ao PSD com um pré-candidato a prefeito embaixo do braço: o vereador licenciado e atual secretário Arleu da Silveira (PSDB até março, quando abrir a janela para vereadores mudarem de partido). Os pessedistas têm um nome natural, o deputado federal Ricardo Guidi, que mantém a disposição de concorrer e tem acesso direto ao presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, para garantir o posto.

Na trama costurada pelo presidente estadual Eron Giordani e pelo deputado estadual Júlio Garcia, articuladores no PSD da chegada de Salvaro, ao partido, ficou alinhado o discurso de que não existe prato feito e nem candidatura posta em 2023. Quem tiver maior viabilidade será o candidato do partido, agora o maior de Criciúma. Entrevistado no quadro Plenário, da Rádio Som Maior, nesta segunda-feira, Giordani disse que o discurso que vale para Arleu e Guidi em 2024 será o que valerá para Salvaro e outros nomes possíveis do PSD em 2026, na eleição estadual.


Sobre a imagem em destaque:

Clésio Salvaro, entre Júlio Garcia, João Rodrigues e Eron Giordani. Depois de 20 anos no PSDB, o prefeito de Criciúma trocou o ninho tucano pelo o dos ex-pefelistas. O DNA é o mesmo, aliás. Foto: Divulgação.

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