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15 de abril de 2024

Na reta final da eleição da Alesc, Nadal tem vantagem sobre Zé Milton e deve ser o presidente

Há tempos a Assembleia Legislativa não vivia uma disputa pela presidência da Casa que chegasse viva até tão próximo da data de realização. Desde 2005, quando foi instituído o voto aberto na eleição da mesa diretora, o parlamento catarinense tem escolhido seus dirigentes em chapas únicas, em consenso ou, no máximo, uma ou outra abstenção. Há dois dias do pleito, continuam no páreo as candidaturas de Mauro de Nadal (Mdb) e Zé Milton Scheffer (Progressista).

No páreo, no entanto, não significa equilíbrio. A volta de Mauro de Nadal à presidência parece cada vez mais consolidada. Com apoio do deputado estadual Júlio Garcia (Psd), presidente em três oportunidades, ele costurou a formação dos blocos partidários que garantem a boa parte dos partidos da Alesc fazerem frente à superbancada do Partido Liberal (Pl), 11 integrantes, nas comissões – especialmente as de Constituição e Justiça (Ccj) e de Finanças, as mais cobiçadas.

O movimento foi concretizado ainda na metade de dezembro, no dia seguinte ao Pl anunciar apoio a Zé Milton. Pelo desenho dos blocos, os liberais e os progressistas ficaram fora da mesa diretora e sem presidências de comissões. Embretados, os governistas apostaram em divergências pontuais dentro dos blocos para alcançar os sete votos que somados aos 11 do Pl e aos três do Progressistas garantissem a maioria. No discurso dos apoiadores de Zé Milton, a fala é de que nenhum candidato alcançou ainda os 21 votos necessários.

Semana passada, em entrevista à Rádio Som Maior, o deputado estadual Ivan Naatz, líder do Pl, chegou a lamentar que o governador Jorginho Mello (Pl) tivesse interferido pouco nas articulações pela busca do voto. O governador deixou claro em seus gestos que não queria a presidência com o Mdb, mas mais do que isso, que não queria ver o Pl derrotado no plenário em uma disputa – especialmente uma fotografia em que ele aparecesse derrotado por Júlio Garcia.

Assim, os movimentos do governador foram no sentido de promover o consenso justamente com o deputado do Psd, maior articulador da Casa. Comprometido com Nadal, Júlio Garcia disse a Jorginho que essa solução dependeria do emedebista aceitar desistir. Respaldado pelas bancadas federal e estadual do Mdb, que aceitaram suspender as conversas sobre aceitar a participação do partido no secretariado de Jorginho para depois da eleição da Alesc, Nadal resistiu às pressões.

Quer ser presidente. E será.

Nesta reta final, as discussões caminham para uma saída honrosa para o Pl e para Zé Milton. Os liberais querem duas vagas na mesa diretora e entrar na briga pelas presidências de comissão. Para o candidato progressistas, a presidência da Ccj ou da Comissão de Finanças. A dificuldade agora é combinar com os partidos blocados, que já haviam mapeado essas posições. Serão duras as conversas.

Com a presidência da Alesc, o Mdb se cacifa a pedir mais do que uma secretaria – Jorginho oferece a Infraestrutura para algum integrante da bancada estadual. Os emedebistas acham que merecem mais e, além disso, tem receio de receberem a pasta sem autonomia, recheada de nomes ligados ao governador. Há quem defenda que o partido fique fora do governo no princípio. Esperar que Jorginho precise realmente da Alesc.

Na política, é sempre mais caro no débito do que no crédito. Aprendemos isso no governo Carlos Moisés.


Sobre a foto em destaque:

Mauro de Nadal chega à reta final da disputa pela presidência em vantagem sobre Zé Milton. Foto: Agência Al.

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