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12 de junho de 2024

A linguagem atual e o processo de colonização

O Brasil sempre foi um país colonizado. Há mais de 500 anos. E continuamos assim. Mudou o colonizador. Mudaram as formas de colonização.

Não se trata, mais, de invasão pelo mar. Nem de ataques piratas. Nem somente de dependência econômica. E nem de submissão a países vizinhos. Nem tampouco, falo de nosso subdesenvolvimento.

Isso tudo já está muito bem explicitado em livros excelentes de historiadores idem.

Estas etapas foram vivenciadas, apesar de ainda estarmos presas a algumas delas.

O assunto aqui é outro. Falo do colonialismo cultural, comportamental.

Antes que uns e outros me rotulem de saudosista ou desavisado, aviso: não é nada disso.

O texto que segue é uma simples reflexão sobre como a globalização capturou mentes e corações

Nos últimos 30 anos, mudou a maneira como as pessoas, no mundo corporativo/empresarial se relacionam.

A língua e a linguagem é outra. O português virou quase um código. Vejamos.

  1. No mundo globalizado somos BRAZIL. Nunca BRASIL.
  2. Quando alguém quer que você faça um resumo, dirá: me manda um BRIEFING.
  3. Poucos minutos antes de começar a reunião, vai surgir um aviso no teu celular ou computador: não esqueça do MEETING.
  4. Se for necessário demonstrar uma tarefa ou trabalho importante, a pessoa vai te narrar um CASE.
  5. Muitas vezes, depois das reuniões (ops, MEETINGS), parte da equipe precisa estar preparada para o momento seguinte. Para isso dirão que é fundamental fazer COACHING, e não apenas treinamento.
  6. Claro que em qualquer organização, o trabalhador tem de cumprir suas tarefas em determinado tempo. O COACH vai te dizer qual é o teu DEADLINE. E não dirá prazo para terminar.
  7. Na sequência de uma missão dada – e não importa se foi cumprida, ou não – você será chamado para uma conversa. Ele, o teu gestor, vai te dar um FEEDBACK. E não um retorno ao que você realizou.
  8. Concluida a tua tarefa, (se tiver sido bem feita), ele vai te cumprimentar porque fez teu JOB muito acima das expectativas da empresa.
  9. E talvez até te pague um curso IN COMPANY.
  10. Em todas as equipes, há aqueles que se destacam mais do que os demais. Estes apresentam, por vezes, INSIGHTS inovadores (e não boas ideias).
  11. A organização de conceitos e modos de ser e de agir são naturalmente sistematizados nas corporações, de modo que todos sigam o modelo. É o MINDSET. E não mentalidade.
  12. Ninguém vive longe da convivência social. Somos gregários, por natureza. Por isso, estamos interagindo e temos o nosso NETWORKING – e não nossa rede de contatos.
  13. Como o mundo, e as sociedades, se transformam cada vez mais rapidamente, sempre haverá novas TRENDS (e não tendências).
  14. Logicamente, depois de uma reunião (ops, MEETING), alguém será responsável por fazer um REPORT (e não um relatório).
  15. Este profissional certamente tem as SKILLS (e não habilidades) adequadas para desempenhar a tarefa.
  16. Há momentos nas empresas que não requerem MEETINGS. Basta um PITCH (e não uma apresentação breve) a respeito daquilo que se quer comunicar.

Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo de suas publicações e o texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Upiara.

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