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14 de abril de 2024

Com Herneus no TCE, Blasi no TJ e Jorginho no governo, antiga base de LHS se consolida no poder

O positivista Auguste Comte dizia que “os vivos são sempre, e cada vez mais, governados pelos mortos”.

A frase do ideólogo francês repercutia silenciosamente pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) no final da tarde de segunda-feira, durante a concorrida posse do conselheiro Herneus de Nadal no cargo de presidente da instituição. Políticos e autoridades de todos os rincões do Estado prestigiaram a chegada do ex-deputado estadual ao comando da Corte de Contas, incluindo o governador Jorginho Mello (PL) e o primo, Mauro de Nadal (MDB), presidente da Assembleia Legislativa.

Evoco a frase emblemática de Comte por causa de uma constatação clara naquele momento para quem viveu a época em que Luiz Henrique da Silveira (PMDB), morto em 2015, governava Santa Catarina: sua base de governo tomou conta dos principais cargos do Estado.

Em 2006, o peemedebista foi reeleito a bordo de uma composição política que fez história em Santa Catarina. A tríplice aliança, com PMDB, PSDB e PFL (e alguns partidos menores acoplados) garantiu a ele um novo mandato e uma sólida base no parlamento estadual que reunia, apenas com os resultados da urna, 27 das 40 cadeiras de deputado estadual. Uma dessas cadeiras era a de Herneus de Nadal, o segundo mais votado naquela disputa.

Em outra dessas cadeiras da base de Luiz Henrique, sentava justamente Jorginho Mello, agora governador do Estado, chefe do Poder Executivo. O Poder Judiciário está sob comando do desembargador João Henrique Blasi, outro deputado estadual daquela geração, eleito pelo MDB, líder do governo Luiz Henrique na Alesc. Herneus e Blasi não concluíram aquele mandato – renunciaram ao posto e à filiação partidária para assumirem seus assentos no TCE e no TJ-SC e iniciarem as carreiras que culminaram agora, concidentemente, com ambos com comando das instituições.

Ao suceder os quatro anos, dois mandatos, de Adircélio Moraes Ferreira Filho, o ex-emedebista Herneus de Nadal traz de volta a política para o comando da instituição. Digo isso sem a carga pejorativa que a palavra carrega, mas por um estilo de trato, de convívio, de exposição. Herneus é um político em essência, Adircélio foi o primeiro concursado do TCE a assumir a presidência da instituição. Será diferente.

Em sua despedida, Adircélio, que assume a corregedoria do TCE, ressaltou as mudanças promovidas em sua gestão para que a Corte de Contas exercesse “um controle menos formal, solene e processual” e buscasse “um controle mais ágil, dinâmico, célere e efetivo”, “menos a posteriori e mais preventivo e concomitante”, “menos reativo e mais proativo”. Sua gestão é elogiada pelos colegas conselheiros e fora do próprio tribunal. Herneus fez o registro elogioso em seu discurso, ao dizer que o antecessor “pela maestria com que conduziu a presidência e o profissionalismo que demonstrava diariamente, promoveu avanços fundamentais para colocar o Tribunal de Santa Catarina em posição de vanguarda”.

O novo presidente prometeu avançar e marcar a gestão pelo diálogo. Lembrou as raízes emedebistas ao citar líderes do partido em trecho do discurso pinçado para lembrar o contexto político atual.

– Aprendi, nos tempos de exceção, os ensinamentos de Ulysses, Tancredo, Pedro Ivo Campos e Luiz Henrique da Silveira: que a liberdade e a democracia são um patrimônio inalienável do povo brasileiro – disse Herneus.

Naquela fotografia que lembrei no início do texto, da base aliada de Luiz Henrique em 2006 no centro do poder catarinense hoje, faltou apenas algum integrante daquela turma na presidência da Alesc. Ainda restam dois integrantes daquela geração governista no parlamento: Júlio Garcia (PSD) e Marcos Vieira (PSDB). O pessedista chegou a ser apontado como solução de consenso diante do impasse inicial entre as candidaturas de Mauro de Nadal, apoiado por ele, e de Zé Milton Scheffer (Progressistas), apoiado pelo PL de Jorginho. Preferiu manter a palavra dada e se manter como fiador da vitória do emedebista.

E aí a gente pede licença a Auguste Comte para lembrar a paródia que o humorista brasileiro Aparício Torelly, o Barão de Itararé, fez da frase icônica do francês:

– Os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mais vivos.


Sobre a foto em destaque:

Herneus recebe o cumprimento de Jorginho, sob olhar de Blasi e palmas de Adircélio. Foto: Ricardo Wolffenbüttel, Secom-SC.

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