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23 de maio de 2024

Governo deflagra o ambicioso Plano Carmen para zerar fila de 105 mil cirurgias em seis meses

Uma das principais apostas do governador Jorginho Mello (PL) para seu mandato começou a sair do discurso nesta segunda-feira. A secretária de Saúde, Carmen Zanotto (Cidadania) apresentou o ambicioso Programa Estadual de Cirurgias Eletivas, com a meta de zerar, em até seis meses, a lista de espera por procedimentos cirúrgicos na rede pública de saúde do Estado. É o Plano Carmen. Se der certo, Jorginho e Carmen – e o próprio governo – marcam de vez seus lugares na história do Estado.

O programa foi apresentado inicialmente em uma reunião a portas fechadas com dirigentes de organizações de saúde do Estado. Depois, foi a vez da imprensa, recebida na Casa d’Agronômica. Na apresentação, Carmen fez um diagnóstico do cenário atual. Os números impressionam: são 105 mil pacientes em fila de espera para cirurgias eletivas e outros 117 mil aguardando consultas com a especialidade cirúrgica. Além disso, um gargalo de gestão que impressiona. Os hospitais sob gestão estadual tem capacidade para realizar 21 mil cirurgias por mês e realizou, entre dezembro de 2021 e novembro de 2022, uma média de 8,7 mil mensais.

Para zerar a fila o governo estadual tem, disponíveis desde já, R$ 235 milhões. Eles têm como origem recursos estaduais (R$ 135 milhões do Fundo Estadual de Saúde e do Fundo dos Hospitais Filantrópicos), federais (R$ 70 milhões do Fundo Nacional de Saúde, via emendas parlamentares) e municipais (R$ 30 milhões dos fundos municipais de Saúde). Na ponta do lápis, se os procedimentos fossem todos realizados pelos valores das tabelas do Sistema Único de Saúde (SUS), seria suficiente. Carmen sabe, no entanto, que boa parte dos procedimentos precisarão de aporte maior, pelo menos duas vezes o valor da tabela, para atrair profissionais. Perguntada sobre onde buscar o dinheiro que falta, a secretária deu uma resposta a seu estilo.

– Primeiro eu vou tratar de gastar os recursos que tenho, depois vou lá bater no Tesouro para pedir mais – brincou.

Faz parte do estilo Carmen fugir da polêmica. A longa explanação não teve nenhum momento de crítica direta às gestões passadas. Falou muito em reorganização do modelo, mudanças estruturais, padronizar procedimentos entre hospitais, credenciar serviços já realizados no interior e que não estão sendo remunerados pelo SUS. A ideia de Carmen é deixar de lado o modelo de mutirões de cirurgias com uma racionalização do sistema. É um desafio de governo que vale um mandato.

Carmen conhece a área, sabe o que fala. Chegou pela primeira vez na Secretaria de Saúde no governo Luiz Henrique da Silveira (PMDB) – primeiro adjunta do então secretário e então padrinho político Fernando Coruja. Assumiu o comando, elegeu-se deputada federal, tornou-se uma das maiores autoridades em saúde no Congresso Nacional – reconhecida pelos pares, pela imprensa, pela sociedade e pelo eleitor que vem renovando seus mandatos. Esse conhecimento acumulado é que gera a expectativa de que o Plano Carmen não seja mais uma promessa de resolver o histórico problema das filas de cirurgias eletivas no Estado. Em seis meses essa expectativa será contraposta aos resultados. Como diz Jorginho, Santa Catarina tem pressa.


Sobre a foto em destaque:

Sob o olhar de Jorginho, Carmen mostra o tamanho de seu desafio: uma fila de 105 mil cirurgias. Foto: Cristiano Andujar, Secom.

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