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23 de maio de 2024

Júlio Garcia: “Não há clima de oposição na Alesc, diferentemente do governo Moisés”

Tirar o PL da mesa diretora e das presidências de comissões seria um erro que comprometeria a harmonia da Assembleia Legislativa. A afirmação é do deputado estadual e ex-presidente da Casa, Júlio Garcia (PSD), justamente o articulador dos blocos partidos que isolaram a maior bancada do parlamento estadual e garantiram a vitória do presidente Mauro de Nadal (MDB). Entrevistado na manhã desta quinta-feira no quadro Plenário, da Rádio Som Maior, o pessedista explicou os movimentos que levaram ao consenso entre os partidos na reta final da disputa.

– É preciso que se deixe espaço aberto para que o PL participe. Elegeram 11 deputados, é um quarto da Assembleia. Não podemos estabelecer imposições apenas porque temos pra um determinado fim uma maioria expressiva. Essa maioria poderia impor sua vontade, mas isso não seria bom para o parlamento e para Santa Catarina. Nas comissões, devemos agir da mesma forma e com o mesmo espírito que tivemos na montagem da mesa diretora.

A decisão de formar quatro blocos partidários foi tomada após a percepção da disparidade na representação das diferentes forças políticas dentro da casa. O PL possui 11 cadeiras; o MDB, seis; o PT, quatro. Os outros 10 partidos representados na Alesc conquistaram três vagas ou menos – e, de acordo com Júlio Garcia, se a composição das comissões fosse feita dessa forma, poderia render dificuldades futuras.

– Passamos a analisar qual a melhor forma de configurar cada bloco para ter participação nas comissões temáticas, que é tão importante, até mais importante que a mesa diretora, pois dá mais visibilidade e tem mais importância na condução dos projetos do governo ou de origem parlamentar. Imagine chegarmos ao plenário sem um lugar postulado por uma bancada de 11 deputados, como seria a eleição e o dia após? Houve o consenso de que o Parlamento está acima de qualquer disputa por cargo, por espaço, por mais legítimo que ele seja.

A decisão harmoniosa reflete na decisão de apoio ao deputado Mauro de Nadal para a presidência da Alesc. Alegando que não há hostilidade por parte dos deputados ao governo Jorginho, Garcia afirma que o erro do PL fora apoiar a candidatura de Zé Milton Scheffer (Progressistas) sem angariar votos o bastante – fazendo com que um bloco ainda maior fosse aglutinado ao nome de Nadal. O pessedista também afirmou que resistiu às propostas para assumir ele mesmo uma candidatura de consenso por já ter dado o apoio ao emedebista.

– Coincidentemente houve o lançamento da candidatura do Zé Milton, um deputado de respeito, de diversos mandatos, mas que estrategicamente o grupo que o apoiava cometeu o equívoco de anunciar a candidatura com apenas 14 votos. Não é pouco, mas não é o suficiente. A partir disso, o grupo dos 26 se uniu ainda mais em torno da candidatura do deputado Mauro de Nadal. Conversei com ele antes, tinha dado a palavra a ele. Fui tentado muitas vezes a voltar atrás, mas palavra dada tem que ser cumprida. Acho que a Assembleia saiu bem do processo.

Júlio Garcia garante que o resultado da eleição da presidência da Alesc não significa que o governador Jorginho Mello (PL) enfrentará oposição no parlamento estadual.

– Ainda não existe uma definição nem em relação ao governo nem à oposição. Não há clima de oposição na Assembleia Legislativa. Diferentemente do governo Moisés, que teve três fases. A primeira ostensiva, onde criminalizaram a política e houve reações. A segunda fase foi da concertação e a terceira fase foi neutra, já no início da campanha eleitoral.


Sobre a foto em destaque:

Mauro de Nadal abraça Júlio Garcia após ser eleito presidente da Alesc. Foto: Vicente Schmitt, Agência AL.

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