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23 de maio de 2024

Novo chefe do Incra em SC, Dresch minimiza ações do MST: “papel do movimento social é pressionar”

No comando do superintendência estadual do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) desde a última sexta-feira, o ex-deputado estadual Dirceu Dresch (PT) promete sob sua gestão serão feitos investimentos na estrutura dos assentamentos existentes em Santa Catarina, mas também que novas famílias poderão trabalhar em terras reempossadas pelo Estado. Para o ex-deputado, o investimento significa maior seguridade à produção alimentar – e também uma simbiose com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que faz o papel de “pressionar” enquanto o governo “faz política”.

Dresch, cujos mandatos entre 2007 e 2018 foram marcados pela atuação junto a entidades da agricultura familiar, se diz satisfeito em “ajudar a construir a política de reforma agrária” a partir do fortalecimento dos assentamentos em Santa Catarina. Até o momento, são 5 mil famílias assentadas e há perspectiva de que o número aumente durante a gestão. Com a experiência na Alesc, Dresch enxerga possibilidade de que essas famílias enriqueçam a economia estadual a partir da produção agrícola “primeiro para subsistência e depois abastecimento interno”.

– Faremos um trabalho coletivo dentro do Incra. Temos uma equipe grande, capacitada, e queremos fortalecer o trabalho pois não nos é incumbido apenas os assentados, mas qualquer coisa relacionada à terra. O assentado também é agricultor. Tem muitas áreas públicas que faremos um levantamento para ver a possibilidade de assentar mais agricultores. Ainda, vamos auxiliar todos os agricultores que se encontram em área de conflito. Isso é: tinham as terras, mas bancos públicos ou privados tiveram que assumir por causa de dívidas. Faremos uma busca por essas áreas.

Para o aumento no número dessas famílias, o superintendente acredita que é preciso que o governo federal continue fazendo aquilo “que foi eleito para fazer” numa simbiose com os movimentos sociais. Dresch ressalta, no entanto, que o órgão se trata de uma entidade pública, não um movimento. Assim, logo na segunda-feira, o MST foi recebido para que as demandas do movimento fossem ouvidas.

– Nós somos um órgão público, não um movimento. Então temos a obrigação de lidar com os desafios que a sociedade propõe. Hoje estou numa instituição responsável de Estado que tem um governo que faz política. Com certeza o governo Lula (PT) tem uma preocupação grande com produção de alimentos e combate à fome e, por isso, precisamos dar assistência aos agricultores, fazer reforma agrária e retomar terras não usadas para o papel social. E o movimento faz sua parte, reconheço e entendo que deve fazer seu papel. Ocupa terras que não tem cumprido seu papel social, não terras produtivas.

O superintendente afirma que as 5 mil famílias assentadas ocupam terras que antes não cumpriam papel social; mas hoje cumprem e isso será incentivado pelo governo federal.

– A pressão é papel do movimento social, o governo tem que cumprir a função para qual foi eleito.

Assim, a primeira providência tomada pelo órgão será o fortalecimento dos assentamentos “tanto de documentação, de regularização, de assistência técnica, de formação, infraestrutura”, para aumentar a qualidade de vida no local e evitar o abandono das terras.

-Essas famílias foram muito abandonadas pelos governos que estavam aí. Outro desafio é fazer produtivas as áreas improdutivas, áreas que muitas vezes são da união e faremos levantamentos de quais são através dos mecanismos da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). A partir disso, vamos buscar novos agricultores para assentar, porque muita gente gostaria de trabalhar na terra, mas não tem.

 

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