Os problemas de infraestrutura do sul do estado e a mobilização da comunidade local. Por Guilherme Longo Triches

Artigo de Guilherme Longo Triches, Servidor Público e Jornalista.

Todos que moram no sul do estado sabem do problema que é o trecho da BR-101 que passa pelo Morro dos Cavalos, em Palhoça. É uma via que, mesmo duplicada, é o epicentro de vários congestionamentos. A partir do acidente comum caminhão-tanque ocorrido em maio, ocasião em que o trecho ficou interrompido por dias, o Brasil se deu conta daquele gargalo. Posso dizer que, se o acidente tivesse ocorrido no verão, os turistas argentinos também estariam requerendo providências quanto ao trecho.

Em junho outra via que faz ligação com o sul do estado também sofreu interrupção. Um caminhão tombou na Serra do Rio do Rastro e, por isso, a rodovia ficou 12 horas fechada. Se, naquele domingo, alguém que estava na região serrana tinha pretensões quanto a “descer” para o sul do estado, teria que se aventurar por serras sem infraestrutura ou ir até a Grande Florianópolis, onde, para ir para Criciúma e região, teria que passar por ele: o Morro dos Cavalos.

Enquanto discute-se muito que o litoral norte carece de uma alternativa à defasada BR-101, a infraestrutura viária do sul de Santa Catarina fica relegada. As duas interrupções recentes fizeram com que o sul do estado se sentisse mais gaúcho do que catarinense, afinal a única saída era voltada para o Rio Grande do Sul. Única mesmo. As serras da Rocinha e do Faxinal também carecem de melhor infraestrutura para se consolidarem como opções passíveis de consideração.

Quando o assunto é aeroportos, também nos vemos ilhados. Enquanto o peculiar aeroporto de Jaguaruna perde voos – neste ano a Azul deixou de operar ali – o aeroporto de Correia Pinto, na serra catarinense, ganhou voodireto para Congonhas, São Paulo. Não é raro que moradores do sul do estado prefiram agendar voos a partir de Porto Alegre. Apesar da distância maior, não trocam o certo pelo duvidoso. O Aeroporto de Jaguaruna possui poucos voos. Nenhum para Congonhas. Tem também um “sobe-e-desce” escadas para embarcar que ninguém entende. Já em relação ao aeroporto de Florianópolis, o problema recai novamente sobre o Morro dos Cavalos. Chegar em Floripa, no horário do voo, requer que não haja surpresas no referido trecho.

Frente ao descaso, conclui-se que as iniciativas em relação à infraestrutura devam partir do próprio sul, sem esperar por nossa representação em Brasíliaou Florianópolis. É o que já está fazendo a comissão formada por vereadores de Criciúma. Eles estão mobilizando outras câmaras municipais no sentido de propor soluções ao trecho do Morro dos Cavalos. Esta comissão precisa ir até o fim nessa missão, pois a população conta com eles. As entidades da Sociedade Civil do Sul do Estado precisam encabeçar junto. A Associação Empresarial de Criciúma já lançou uma campanha chamada “Solução já!”. Terá de ser de assim, de dentro para fora, a partir dos municípios, a mobilização em torno dos problemas de infraestrutura que afetam o sul de Santa Catarina.

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