Vinho quente, só na festa junina – não erre na temperatura

Se tem um jeito infalível de estragar um vinho, é servir na temperatura errada. A boa notícia é que não precisa de termômetro de laboratório pra acertar. Para começar, basta esquecer a ideia brasileira de que bebida boa é “estupidamente gelada”. Sim, nós vivemos em um  país tropical e a cultura da cerveja fala mais alto que qualquer outra bebida. Mas o vinho não joga nesse time e quando a gente aplica a mesma lógica, acaba perdendo aromas, sabores e toda a graça da taça.

Com frequência me arrepio vendo amigos beberem um cabernet sauvignon que passou horas na geladeira ou um malbec tão gelado que a taça chega a ficar embaçada. O resultado é certo: o famoso “suco de taninos”.

Aqui no sul do Brasil, no inverno, com 18 °C ao meio-dia e 12 °C à noite, a chamada “temperatura ambiente” já é perfeita para a maioria dos tintos. Não precisa inventar moda – basta conhecer a lógica da coisa:

Quanto mais leve o vinho, mais frio ele deve ser servido:

  • Espumantes e brancos levinhos: 3–7 °C
  • Brancos aromáticos e rosés: 7–13 °C
  • Tintos leves: 13–16 °C
  • Tintos encorpados e fortificados: 16–20 °C


E quando erramos na mão?

Em um vinho muito frio os aromas desaparecem, os sabores ficam achatados e só a boca percebe algumas sensações, especialmente taninos e acidez. Pode acreditar: bebendo assim, você não alcança nem um terço da experiência que o vinho pode (e deve) te entregar. Se isso rolar, segure o bojo da taça com as mãos por alguns minutos para aquecer. E fique atento: se for tinto, a taça nunca deve ficar embaçada.

Já com o vinho muito quente o álcool aparece antes de qualquer outro aroma, e logo vem a frase “só sinto cheiro de álcool”. Esse é o destino cruel de qualquer vinho – branco ou tinto – que passa muito tempo em cima da mesa num dia de calor. Quer salvar? Coloque quinze minutinhos na geladeira ou mantenha o vinho aberto num balde de gelo. Ainda assim, se for tinto, atenção para não gelar demais.

Moral da história: respeitar a temperatura é respeitar o vinho. E vinho quente, meu bem, só com bandeirinha e quentão de festa junina. 🍷

Beatriz Cavenaghi é jornalista, doutora em Gestão do Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e sommelière pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-SC). @beacavenaghi no Instagram

Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo de suas publicações e o texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Upiara.