Se os políticos também fizeram uso do famoso “em janeiro eu resolvo”, venho informar que janeiro chegou, meus amigos! A partir de agora, a política catarinense entra oficialmente no modo “contagem regressiva”. Até abril, decisões individuais vão definir alianças, aprofundar rachas e reorganizar o tabuleiro de 2026. Nos bastidores, três perguntas fazem parte de todas as conversas e as respostas para cada uma delas ajudam a entender o que vem por aí, nas eleições deste ano.
1 – Carol de Toni vai deixar o PL para disputar o Senado pelo Novo?
Desde outubro do ano passado, essa pergunta faz parte de 10 em cada 10 conversas sobre política. Não é à toa. A decisão da deputada federal Carol de Toni de ficar ou sair do PL redesenha o cenário político catarinense.
O interesse na resposta não é mera curiosidade. Se ela sair, confirma o racha partidário provocado pela vinda de Carlos Bolsonaro ao estado para disputar o Senado, previamente apontado pela deputada estadual Ana Campagnolo. Se Carol ficar, Esperidião Amin fica mais distante de compor com Jorginho Mello na sua candidatura à reeleição e pode se aproximar da chapa de João Rodrigues, caso ele renuncie à prefeitura.
A permanência da deputada no PL permite ainda outra leitura: se Jorginho optar por uma chapa pura na disputa ao Senado, com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, isso indicará que a decisão foi tomada ouvindo as bases e lendo pesquisas, que recentemente colocaram os dois em primeiro e segundo lugar.
Na conta do governador, pode pesar o “menor estrago”. O que provocaria menos prejuízo eleitoral em sua busca pela reeleição: “perder” o apoio do União Progressista (Amin) ou “perder” Carol de Toni?
Neste fim de semana, Carol e Jorginho posaram juntos, em clima de harmonia, em Balneário Camboriú, durante o evento Empreendedores do Brasil 2026, dando a entender que “desamarraram o burro” depois da polêmica entrevista de Carol, no fim do ano passado, quando ela disse que “não era palhaça” ao comentar a possibilidade de ficar fora da chapa de Jorginho.
Prós e contras da saída de Carol do PL
Pró: a deputada poderia decidir seu futuro político sem depender de nenhuma outra liderança. Se sair, deve condicionar a decisão à garantia de disputar o Senado. Além disso, sairia fortalecida na queda de braço pela vaga.
Contra: deixaria de contar com a estrutura do PL, partido que deixou de ser nanico e foi alçado ao status de legenda que mais elegeu prefeitos em 2024 e que atualmente administra quase 100 das 295 prefeituras do estado. Talvez a gente devesse até mudar essa pergunta: “Jorginho vai abrir espaço para Carol em sua chapa ou ela vai precisar fazer o que disse e buscar outro partido?”.
O período para troca de partido neste ano vai de 6 de março a 5 de abril, mas é bastante provável que Carol tome sua decisão antes do fim desse prazo.
Nota da autora: Carol é do signo de Virgem (1º de setembro). Virginianos costumam ser bastante determinados na busca de seus objetivos, racionais e usam a lógica para tomar decisões. Também gostam de se sentir úteis e importantes.

2 – João Rodrigues (PSD) vai renunciar à prefeitura de Chapecó para disputar o governo?
Essa é a principal pergunta do meio político desde que o assunto “eleições 2026” veio à tona. João Rodrigues foi reeleito prefeito de Chapecó com larga vantagem em 2024 e, desde então, tem deixado clara sua intenção de disputar o governo do estado.
Para isso, ele precisa renunciar à prefeitura respeitando o prazo legal de seis meses antes da eleição, ou seja, até abril. Em um evento do partido em São José, em dezembro do ano passado, ele disse que vai renunciar em março. Se isso ocorrer, sua candidatura ao governo se torna irreversível.
Jorginho Mello e João Rodrigues disputam uma fatia de votos em comum no campo da direita, o que faz do prefeito de Chapecó o principal adversário de Jorginho na eleição de 2026.
Prós e contras da renúncia de JR
Pró: ao deixar a prefeitura, João passa a ter disponibilidade para percorrer o estado apresentando seu projeto político e buscando apoios, sem precisar dividir o tempo entre administrar a cidade e a pré-campanha.
Contra: abriria mão de uma gestão com alto índice de aprovação em Chapecó para se arriscar em uma disputa diferente de uma eleição municipal. Uma espécie de aposta sem garantias, o que não é o mesmo que dizer que não valha a pena.
Não há “perda” em disputar uma eleição como a deste ano. Se não vencer, no mínimo, abre caminho para a próxima. Lembrando que João e Jorginho não costumam trocar farpas publicamente, o que deixa margem aberta para futuras possibilidades de composição. Sem brigar em público, fica mais fácil “desfritar o ovo”, se precisar.
Nota da autora: João Rodrigues é do signo de Áries, que costumam ser competitivos, adoraram desafios e uma boa briga. Pessoas desse signo não costumam voltar atrás depois de tomar uma decisão.

3 – Adriano Silva vai renunciar à prefeitura de Joinville para disputar o governo?
Vamos voltar no tempo. Em fevereiro do ano passado, durante um evento em Joinville com a presença do governador, o prefeito Adriano Silva fez um discurso que incendiou o cenário político. Ao relatar sua relação com Jorginho Mello, disse que o governador foi responsável por abrir portas em Brasília, guiá-lo nos primeiros anos e afirmou publicamente: “Eu estou junto com o senhor”.
Foi o suficiente para incendiar o cenário político com uma declaração que soou como apoio à reeleição de Jorginho. À época, o próprio Adriano tratou de dizer que “não era bem assim”. A explicação não convenceu totalmente, e ele passou o ano sendo apontado como aliado do governador. Afinal, quem dispensaria o apoio do prefeito da maior cidade do estado?
Só que as pesquisas começaram a surgir e quem apareceu nelas? Adriano Silva. Com isso, uma nova pergunta entrou no radar: ele estaria disposto a renunciar à prefeitura e disputar o governo do estado?
Prós e contras da renúncia de Adriano
Pró: a possibilidade de percorrer o estado levando seu nome e se posicionando politicamente, embora valha destacar que ser candidato ao governo neste momento parece mais interessante para o Novo do que para o próprio Adriano.
Contra: se perder a eleição, fica sem mandato. Além disso, vive um bom momento político, com uma gestão bem avaliada em Joinville. Abrir mão disso não parece uma decisão simples.
Nota da autora: Adriano Silva é do signo de Peixes (1º de março). Piscianos, embora sonhadores, costumam ter profundo senso de realidade, manter o pé no chão e agir com empatia. Nesse cenário, Adriano só renunciaria se o desenho político fosse muito, mas muito atrativo. Perder a eleição e ficar sem mandato pode ser pior do que esperar para concorrer em 2030.

As três perguntas têm algo em comum: nenhuma será respondida por pura convicção ou impulso. Todas passam por cálculo, risco e leitura de cenário. Abril não encerra apenas prazos legais; encerra a fase de encenações.
E, respondendo quem leu esse texto e pensou: “Maga, eu não gosto de signo”: eu sei, leitor. Eu sei. Ninguém gosta. Imagina!
* Deixei alguma pergunta de fora? Me manda lá no instagram em @magastopassoli
O post Três perguntas sobre a política catarinense que serão respondidas até abril (ou antes) apareceu primeiro em Maga Stopassoli.





