Santa Catarina bate recorde lá fora, mas 2026 cobra atenção no crédito, na China e no peixe

Santa Catarina começou 2026 exibindo força no comércio internacional.

O Estado bateu recorde histórico de exportações de carnes, consolidando-se como protagonista global em um cenário cada vez mais competitivo.

Mas o mesmo ano que abre com porto cheio começa com sinais claros de alerta: crédito mais curto, China redesenhando estratégias e novos concorrentes surgindo no radar – inclusive na aquicultura.

Entre vitrine internacional e ajustes internos, o agro catarinense entra em 2026 forte, mas atento.

Recorde histórico: SC exporta 2 milhões de toneladas de carnes

Santa Catarina encerrou 2025 exportando 2 milhões de toneladas de carnes, entre frango, suínos, bovinos e outras proteínas, alcançando o melhor resultado da série histórica.

O faturamento somou US$ 4,5 bilhões, reforçando a posição do Estado como referência mundial em sanidade, organização produtiva e acesso a mercados exigentes.

O desempenho foi impulsionado pela ampliação de destinos e pela manutenção de mercados estratégicos, mesmo em um ambiente internacional mais protecionista.

Governador: sanidade virou ativo estratégico

O governador Jorginho Mello destacou que o resultado não é casual, mas fruto de uma política sanitária rigorosa e da credibilidade construída ao longo de décadas.

“Santa Catarina produz com qualidade e responsabilidade. Esse reconhecimento lá fora é resultado do trabalho dos produtores e da atuação firme do Estado na defesa sanitária e na abertura de mercados”, afirmou.

Mais de 150 mercados e foco em diversificação

O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini, reforçou que Santa Catarina hoje exporta proteínas para mais de 150 países, o que reduz riscos e amplia oportunidades.

Segundo ele, o desempenho de 2025 mostra que o Estado soube diversificar destinos, um movimento estratégico diante das incertezas globais previstas para 2026.

Frango lidera exportações e sustenta resultado

A carne de frango foi novamente o carro-chefe das exportações catarinenses. O Estado embarcou 1,2 milhão de toneladas, com receita recorde de US$ 2,45 bilhões. Arábia Saudita, Países Baixos e Japão lideraram as compras.

Santa Catarina respondeu por cerca de um quarto das exportações brasileiras de frango, mantendo liderança em valor agregado e padrão sanitário.

Suíno catarinense mantêm liderança, mas China pode mudar o jogo em 2026

Na carne suína, Santa Catarina segue como maior exportador do Brasil, com 748,8 mil toneladas embarcadas e faturamento de US$ 1,85 bilhão. Filipinas, Japão e China seguem entre os principais destinos.

O alerta para 2026 está justamente na China. Com estoques internos mais equilibrados e políticas de incentivo à produção local, o país asiático pode reduzir importações ao longo do ano.

Para Santa Catarina, isso reforça a importância de diversificação de mercados e acordos sanitários com novos destinos.

Porto bate recorde, mas crédito pisa no freio

Enquanto os portos catarinenses operam em ritmo forte, o crédito rural entra em modo defensivo. Bancos estão mais seletivos, renegociações ficaram mais caras e o produtor sente o aperto no caixa.

O contraste é evidente: exportação em alta, mas capital de giro mais curto. Em 2026, eficiência financeira passa a ser tão decisiva quanto produtividade.

Paraguai libera tilápia em Itaipu e mexe no tabuleiro da aquicultura

Outro movimento estratégico vem do Paraguai. O país aprovou uma lei que autoriza a criação de tilápias no lago de Itaipu, abrindo caminho para uma nova frente de produção aquícola em escala industrial.

A medida pode aumentar a oferta regional, pressionar preços e alterar a dinâmica do mercado sul-americano de tilápia. Para o Brasil e especialmente para Santa Catarina, um dos maiores produtores nacionais, o avanço paraguaio exige atenção.

Por um lado, amplia o mercado e fortalece a cadeia regional. Por outro, aumenta a concorrência e pressiona margens, sobretudo se houver diferença regulatória, sanitária ou tributária entre os países.

Cooperativismo de crédito avança no Open Finance

No sistema financeiro, o cooperativismo de crédito deu um passo institucional relevante ao assumir a presidência do Conselho de Administração da Associação Open Finance.

A presença reforça o protagonismo das cooperativas na construção de um sistema financeiro mais integrado, competitivo e transparente – com impacto direto no agro, especialmente no acesso a crédito, compartilhamento de dados e redução de custos financeiros no médio prazo.

Recordes pedem estratégia

Santa Catarina começa 2026 mostrando força, sanidade e capacidade de competir no mundo.

Mas o cenário exige leitura fina: crédito mais curto, China recalculando rotas e novos players entrando no jogo.
Exportar bem continua essencial. Planejar melhor virou obrigação.


O Política e Agro segue acompanhando – porque, no agro, recorde sem estratégia vira risco.

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