Epígrafe
“Conto é aquilo que você está lendo dentro de uma casa pegando fogo e só foge quando terminou de ler”.
Frase atribuída ao russo Anton Tchekov (1860-1904) sobre a definição de conto.

Eu indico

Soldados dos Jazz (editora Vestígio)
O texto do jornalista francês Thomas Saintourens é envolvente e emocionante, acerca de uma história tão dramática quanto fascinante. A participação dos negros norte-americanos na I Guerra Mundial (1914-1918), lutando nas trincheiras da França, onde muito mais que jornadas heroicas, deixaram o legado dos ritmos do jazz, gênero que ainda não havia se espalhado pelo mundo. Vítimas da segregação moral e física da sociedade onde viviam, esses homens foram reconhecidos e homenageados pelos franceses. No retorno à pátria, no entanto, foram recebidos com desprezo e ira — o que, em muitos casos, incluía linchamentos.
O que está lendo Rosane Cordeiro

Mulher que pratica diariamente os versos e a prosa, Rosane Cordeiro tem um repertório que combina o local com o global, encantando e incluindo diferentes faixas etárias, sem renunciar à indignação social e política. Natural de Florianópolis, doutora em Letras (UFSC), resume-se — com felicidade — na frase “escrevo porque a vida às vezes fica entalada na goela”, que é parte de seu livro De choros e velas, o feminino em verso e prosa.
Vida de Música diverte pela brevidade e a forma inusitada como a autora, Silvia Beraldo, conduz as narrativas. São histórias de uma instrumentista, mãe e mulher que não se cala e sopra, aos quatro ventos, o seu saxofone. “Arranja outro instrumento!”, disse-lhe o pai quando ela estudava flauta — instrumento da sua avó, que foi proibida de o tocar quando se casou. Assim, este livro é também um ato de coragem. Já no título, ao utilizar a locução adjetiva “de música”, a cronista assume seu lado enquanto artista. Silvia apresenta-nos, além de referências locais interessantes, um riso e uma crítica ao que nos é imposto como padrão. Leia Vida de Música!
Duas perguntas para Arquelau Bonifácio

A bicicleta fez muita diferença na vida do joinvilense Arquelau Bonifácio, 68 anos, desde o início de sua vida profissional, quando ainda não tinha carro. Mais tarde, o ciclismo intensivo foi o que lhe salvou dos graves riscos à saúde. Fez mais do que isso, porém: percorreu o Brasil, a América do Sul e a Europa, solitário ou em grupo, conhecendo destinos históricos e naturais de imensa importância. Foi além e registrouesses périplos em livros. “Pedalando sob um campo de estrelas”, lançado em dezembro,é a sua segunda obra (Carbo Editora), relatando a jornada pelo Caminho de Santiago de Compostela, no norte da Espanha e Portugal. Compostela, vale a lembrança, significa campo de estrelas, em latim tardio.
Por que a escolha por Santiago de Compostela?
AB — Há muitos caminhos que levam até a cidade da Galícia espanhola, repletos de pessoas que buscam imersão espiritual ou vão agradecer graças alcançadas. Outros, simplesmente, querem percorrer um roteiro que é tão histórico quanto místico. Quando se conclui, descobre-se que o caminho é até mais importante que o destino.
O que mais o marcou nessa jornada?
AB — A solidariedade e a camaradagem entre as pessoas que vêm dos pontos mais remotos do planeta, independentemente dos idiomas que falam, é muito relevante. E as marcas da história também impressionam, há sítios pré-históricos ou que remetem à Roma antiga e à Idade Média. Cruzei aldeias quase desertas, serras, paisagens áridas e florestas. Um convite ao retorno.
Lançamentos
De frente para a história da Lagoa

Com o rigor da pesquisa acadêmica e um texto acessível, José Tadeu Pinheiro nos brinda com um documento ímpar sobre a história da Lagoa da Conceição e seu entorno— Barra, Costa, Canto etc. “De frente para a Lagoa” (Habitus Editora) é um trabalho impecável, com depoimentos de imensa importância para a memória da capital catarinense, por qualquer que seja a abordagem. Nascido (1945) e criado na Freguesia da Lagoa, Tadeu coleciona relatos desde a época de seu pai, reproduzidos no livro, e acrescidos de outros de personagens nativos da região, investigação bibliográfica, folclores e fatos históricos, além de registros iconográficos. Professor universitário da UFSC (aposentado), seu trabalho é um tributo a historiadores e memorialistas do porte de Oswaldo Rodrigues Cabral e Franklin Cascaes. Da série “imperdíveis”.
O inverossímil octacampeonato do JEC

Quem não viveu o final dos anos 1970 e o início da década seguinte tem dificuldades para compreender a grandeza dos feitos do Joinville Esporte Clube (JEC), octacampeão catarinense de futebol, consecutivamente. O jornalista Anildo Jorge dos Santos, 68 anos, foi uma testemunha privilegiada — e resgata as histórias dessa era de ouro do tricolor na obra “JEC 1985 – o ano do octa catarinense e da melhor campanha no brasileiro” (Editora Areia). E o faz com a legitimidade de duas décadas de atuação na editoria de esportes do extinto jornal A Notícia e de quem, justamente no primeiro ano de trabalho, cobriu o cotidiano do JEC em seu oitavo título seguido, temporada em que o clube ficou entre os oito melhores do campeonato brasileiro da primeira divisão.Anildo — que, vale dizer, é considerado um gentleman entre os colegas de ofício — vai muito além da frieza dos números extraordinários. Histórias divertidas e surpreendentesse sucedem entre depoimentos de ex-jogadores, dirigentes e outros espectadores e participantes das inigualáveis campanhas do tricolor do norte catarinense. “Foi o patrocínio da Tigre e aportes pessoais de Carlos Roberto Hansen (in memoriam) que permitiram a contratação de nomes como Alfinete, Paulo Egídio e Geraldo Pereira, vindos de grandes clubes”, destaca. Estes personagens, ao lado de outros como o lendário meia Nardela e o goleiro Valter, fizeram do JEC um grupo quase imbatível.
Epílogo
“Pedalando sob um campo de estrelas” está disponível no site www.carboeditora.com.br
“De frente para a Lagoa” é vendido pelo site da www.habituseditora.com.br ou pela Amazon
“JEC 1985 – o ano do octa catarinense e da melhor campanha no brasileiro” pode ser encontrado na Casa das Revistas em Joinville ou pelo perfil @JEC1985.livro do Instagram.






