Jorginho Mello avança em conversas com o Novo para ter Adriano Silva como candidato a vice

As articulações para as eleições de outubro ganharam um novo e importante capítulo nas últimas horas. O governador Jorginho Mello (PL) intensificou as conversas com o Novo e colocou na mesa uma proposta ousada: ter o prefeito de Joinville, Adriano Silva, como seu candidato a vice-governador na chapa de reeleição.

Adriano Silva e Jorginho Mello
Jorginho convidou Adriano Silva para ser vice em sua chapa. Foto: Divulgação.

O movimento estratégico tem como foco principal o maior colégio eleitoral de Santa Catarina. Adriano Silva, reeleito com quase 80% dos votos, é a principal liderança do Novo no Estado. Sua presença em uma eventual disputa ao governo, mesmo que para marcar posição, dividiria os votos da direita na região Norte e poderia custar caro a Jorginho Mello, que teve desempenho expressivo em Joinville no pleito passado.

Nas pesquisas divulgadas pelo instituto Neokemp, a entrada de Adriano na cabeça de chapa aparece com potencial de alcançar dois dígitos, o que ajudaria a fragmentar o cenário e aumentar as chances de um segundo turno. Ao trazê-lo para a vice, Jorginho tenta anular esse risco e consolidar a união da direita já no primeiro turno.

Novo debateu convite de Jorginho a Adriano Silva nesta quarta

O convite foi tema de uma reunião realizada nesta quarta-feira em Joinville, que contou com a presença de Adriano e de lideranças da sigla, incluindo o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro. O partido, que vinha mantendo conversas muito próximas com o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), e sinalizava uma caminhada conjunta, recebeu com sensibilidade a proposta do governador. Para Adriano, a vice representa um caminho seguro: evita a renúncia para uma aventura incerta ao governo e o posiciona como um nome natural para a sucessão em 2030.

Essa aproximação entre PL e Novo em Santa Catarina reflete também um desenho nacional que busca maior coerência ideológica. O PL aposta na candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência e, no Estado, desenha uma chapa “puro sangue” ideológica, com a possibilidade de Carlos Bolsonaro e Caroline De Toni disputarem o Senado.

E os outros aliados?

O novo cenário, no entanto, cria um impasse para o MDB. O desenho anterior, idealizado por Jorginho no final do ano passado, previa uma vaga ao Senado para o PL, outra para o Progressistas (com Esperidião Amin) e a vice para os emedebistas.

Com a vaga de vice oferecida ao Novo e a chapa do Senado ficando congestionada por nomes do próprio PL, o MDB corre o risco de ficar fora da majoritária governista. Resta saber qual será a reação do partido: se buscará uma candidatura própria com o deputado federal Carlos Chiodini, se abrirá diálogo com João Rodrigues e o PSD, ou se aceitará apoiar Jorginho apenas em troca de espaços futuros no governo e, eventualmente, a promessa de suporte para a conquista da presidência da Assembleia Legislativa em 2027.

O tabuleiro de 2026 se mexe com força, e o governador deixa claro que sua prioridade é blindar o eleitorado de direita e garantir a hegemonia em Joinville, mesmo que isso custe a relação preferencial com aliados tradicionais como o MDB.

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