MDB se reúne segunda-feira para avaliar o cenário após Jorginho escolher Adriano para vice

Impactado pela decisão do governador Jorginho Mello (PL) de anunciar o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como candidato a vice-governador, o MDB reúne, nesta segunda-feira (19), às 19h, em Florianópolis, as bancadas estadual e federal e o diretório estadual.

O partido alimentava a expectativa de indicar o vice na chapa de Jorginho, expectativa reforçada por declarações públicas do próprio governador ao longo dos últimos meses. Oficialmente, a direção emedebista adota cautela e evita manifestações antes da reunião. Nos bastidores, porém, o clima é de forte insatisfação.

Na base do partido, o sentimento predominante é de traição. Hoje, o MDB ocupa três secretarias no governo estadual — Agricultura, Meio Ambiente e Infraestrutura — além da presidência da Fesporte, o que reforçava a convicção de que teria espaço assegurado na majoritária.

Com o gesto de Jorginho, o tabuleiro político começa a se mover. Dirigentes do PSD e o pré-candidato ao governo, prefeito de Chapecó João Rodrigues, já articulam uma aproximação com o MDB. Uma conversa entre as duas siglas está sendo organizada para a próxima semana.

Recentemente, em entrevista a uma emissora de rádio, João Rodrigues afirmou que não desejava o deputado federal Carlos Chiodini como vice, citando a proximidade do MDB com o PT no governo federal — declaração que gerou desconforto entre emedebistas, mas não inviabilizou o diálogo.

O MDB amarga duas eleições consecutivas fora do segundo turno. Em 2018, com candidatura própria de Mauro Mariani, em coligação com o PSDB, ficou em terceiro lugar. Em 2022, indicou Udo Döhler como vice na chapa do então governador Carlos Moisés, repetindo o desempenho.

Antes disso, o partido esteve no centro do poder estadual por 16 anos: elegeu Luiz Henrique da Silveira em 2002 (chapa pura) e 2006 (com Leonel Pavan, do PSDB, de vice), e participou como vice — com Eduardo Moreira — das vitórias de Raimundo Colombo (PSD) em 2010 e 2014.

A reunião de segunda-feira deve definir se o MDB tentará recompor a relação com o governador ou se abrirá caminho para uma nova aliança em 2026.

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