Quanto mais apuramos o paladar e acumulamos vivências gastronômicas, mais exigentes nos tornamos. O desafio de encontrar algo que realmente supere as expectativas transforma-se em uma busca constante por momentos raros e sorriso no rosto ao dar a primeira garfada. O Beau Social Club, em Florianópolis, conseguiu surpreender positivamente meu paladar e também conquistou pelos detalhes de um lugar clássico, bonito e intimista, mas com uma vibe moderninha inspirada nos dinner clubs europeus. Tudo embalado por músicas em volume adequado em um estilo que podemos chamar de lounge eletrônico.

O bistrô foi inaugurado no dia 5 de dezembro de 2025 e quem comanda o projeto é o chef francês Simon Guitard, com experiência em restaurantes da Europa, Nova Zelândia e Austrália junto à sommelière paulistana Fernanda Befi. O cardápio é enxuto, o que sempre me conquista. A chance de encontrar ingredientes frescos e uma boa execução dos pratos com cuidado, é maior. Nele, são apresentados pratos de inspiração francesa com um olhar autoral do chef.

São apenas 44 lugares — 34 no restaurante e 10 no balcão. Aliás, o bar é um acontecimento à parte. Vale reservar um dia para aproveitar sozinho(a) no balcão.

No salão, o elegante papel de parede com ilustrações botânicas e as velas acesas criam uma atmosfera de acolhimento e sofisticação discreta.

A carta de vinhos é ampla, com forte presença europeia, incluindo Chablis, Bordeaux, Rhône, Bourgogne, espumantes franceses e champagnes Ruinart. A seleção nacional conta com as casas Máscara de Ferro, Vivalti e Cave Geisse. A carta de drinks foi criada pelo mixologista Leo Peralta e traz criações especiais como o Mariage “French 75” (R$ 42) – o primeiro nome na carta é a releitura, e o segundo, o drink de referência. Nele, vai gin de butiá, Chardonnay, goiabada, limoncello e borbulhas (através da carbonatação artesanal, o bartender integra o gás à estrutura da bebida). Decorado com um crocante de queijo e uma fatia redonda de goiabada. Eu queria algo leve, frutado e cítrico e esse drink cumpriu bem.

Entre os drinks sem álcool, provei o Fruité (R$ 25) feito com morango, laranja, balsâmico, um toque exótico e discreto de white penja (uma pimenta branca conhecida pelos aromas de mentol e cânfora) e borbulhas.

Para abrir o apetite, o delicioso brioche artesanal (R$ 28) com creme de manteiga noisette é indispensável. O pão chega quente e bem fofinho, com a casquinha finíssima e crocante. A manteiga derrete quando passada no pão.

Os Croquettes D’Aligot (R$ 44), feitos com batata e queijo gruyère são envolvidos na farinha panko e acompanham um molho incrível de levedura à base de gemas. Aliás, os molhos são estrelas aqui, todos bem elaborados, complexos e cheios de sabor. Por cima, pó de cogumelo, o que elevou o umami. O recheio suculento escorre. Eu só preferiria que a massa que envolve o recheio fosse menos densa.

O Boles De Picolat (R$ 56) é uma entrada de personalidade bem picante e marcante. O prato traz três bolinhos que combinam dois cortes bovinos (magro e gordo) e um suíno. A composição é servida sobre um purê de feijão branco e finalizada com o molho sofregit — um refogado delicioso de vegetais, onde a cenoura brilha.

Nos principais, o clássico Steak & Frites (R$ 130) se destaca pela precisão. O entrecôte é servido em um ponto bem mal passado e muito suculento. Ele chega acompanhado por batatas fritas levemente apimentadas e um molho à base de manteiga, ervas finas, mostarda Dijon e aroma de anchovas que é, francamente, inesquecível. Eu não sou fã de carne bem vermelha, até pedimos para deixar um ponto levemente a mais do que o padrão do prato, mas estava perfeito. O molho é mais um dos pontos altos da noite. Comeria de colher.

Os Ravioles Du Dauphiné (R$ 95) são apresentados em uma única placa. A massinha é suculenta e cede fácil à mordida. Ela é recheada com queijo compté, crème fraîche, tomilho fresco, alecrim, salsinha e gratinada com parmesão. O caldo de legumes reduzido traz um contraste de dulçor em relação ao salgado do queijo. Que prato gostoso e reconfortante.

Para finalizar, vamos às sobremesas. O Crème Glacée Au Leit (R$ 39): sorvete de leite com um toque de azeite extravirgem e azeitona é uma sobremesa simples com uma finalização exótica. A azeitona entra elegantemente na composição de forma ralada, lembrando uma especiaria e trazendo um toque salino sutil. A textura do sorvete é cremosa, mas preserva uma leveza refrescante.

O Soufflé A La Pistache (R$ 50) é uma das sobremesas mais delicadas que já comi na vida. Ele é feito na hora e demora uns 20 minutos para chegar à mesa. Soube que o chef testou muitas e muitas versões até chegar nessa textura. A sensação é de uma esponja levíssima que flutua na língua, surpreendida por uma fina casquinha crocante de açúcar. Acompanha chantilly com um toque inusitado de louro.

O Beau Social Club une o requinte clássico a um ar super atual. É um endereço para quem valoriza a técnica francesa, mas não abre mão do frescor contemporâneo. O espaço funciona bem em qualquer cenário, de um encontro romântico a um brinde entre amigos ou até uma experiência gastronômica e etílica na própria companhia.
*valores praticados no mês de janeiro de 2026
Serviço:
Beau Social Club
Endereço: Rua Rafael Bandeira, 283 – Centro, Florianópolis
Horário de abertura: de terça a sábado, a partir das 19h
Instagram: @beausocial.club





