Toda ação tem uma reação – e na política não é diferente. Se a semana passada terminou com o impacto do anúncio de que o prefeito joinvilense Adriano Silva (Novo) será o vice do governador Jorginho Mello (PL) nas eleições de outubro, a expectativa desta segunda-feira se volta inteira para o MDB. O partido convocou seu diretório estadual para debater, ainda sob a mágoa de ter sido preterido, se desembarca ou não dos cargos no governo estadual.

O cenário é de cobrança. O MDB tinha a expectativa da vice e uma promessa pública do governador – feita em Tubarão – de que a vaga seria deles. O contexto era outro, sobre onde encaixar Caroline de Toni (PL) na chapa governista, mas Jorginho garantiu: “a vice é do MDB”. Os emedebistas chegaram a fazer um evento para seis mil pessoas em Balneário Camboriú para selar o acordo com Jorginho no palco.
E, agora, a chapa de Jorginho está desenhada sem eles: Adriano na vice, Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro (PL) no Senado.
Resta saber se o MDB vai aceitar as possíveis compensações pelo vexame público – secretarias de peso no eventual segundo mandato, vaga no Tribunal de Contas do Estado, apoio a um emedebista à presidência da Alesc em 2027. Ou se vai entender que qualquer promessa agora será mais um “cheque pré-datado” que pode ou não ser descontado.
Na reunião do diretório estadual, todas as alternativas devem ser calorosamente debatidas. Há o caminho de seguir com a pré-candidatura ao governo do prefeito chapecoense João Rodrigues (PSD), desaguadouro natural daqueles que não encaixarem na chapa governista, mesmo que ele tenha desdenhado os emedebistas poucos meses atrás, quando pareciam encaminhados com Jorginho.
Há, também, a tese da candidatura própria ao governo – seja com Carlos Chiodini assumindo o desafio ou o retorno de Antídio Lunelli, como muita gente nos grupos de WhatsApp do partido deseja.
Há um detalhe extra que chama a atenção para esta segunda-feira: quando decidiu aceitar o convite para ampliar sua participação no governo Jorginho, o MDB não ouviu o diretório. A decisão foi das bancadas federal e estadual. Agora, na hora de decidir a saída, o partido chama todo mundo – inclusive nomes contrários àquela adesão, como o ex-governador Eduardo Pinho Moreira e a ex-deputada estadual Ada de Luca.
Talvez o chamamento geral seja para ouvir o “eu avisei” de quem criticou o acordo com Jorginho lá atrás sem garantias reais. Historicamente, as decisões do MDB não são unânimes e entrega de cargos costuma sempre parecer muito radical para quem os ocupa ou indica.
No entanto, se é possível tentar prever o que os magoados emedebistas vão decidir esta noite, a tendência parece ser mesmo o desembarque do governo Jorginho, onde ocupam as pastas de Infraestrutura, Agricultura, Meio Ambiente, além da Fesporte.
Nem que seja uma saída estratégica para respirar fundo e decidir com calma qual rumo pode tomar o partido que tentas vezes governou Santa Catarina, mas que desde 2014 não integra um projeto vencedor da eleição estadual.






