A política local começa a dar sinais de uma mudança interessante em Balneário Camboriú. A proposta da Câmara de Vereadores de reduzir o duodécimo de 6% para 4% sugere que a pauta da contenção de gastos, antes mais associada ao Executivo, passa a ganhar espaço também no Legislativo.

A iniciativa ocorre sob a presidência de Marcos Kurtz (Podemos) e com o respaldo da Mesa Diretora, em um movimento que combina prudência fiscal com leitura estratégica do ambiente político. Em um cenário de maior cobrança por eficiência no uso do dinheiro público, antecipar-se pode ser menos uma escolha ideológica e mais uma decisão pragmática.
Desde o início do governo Juliana Pavan, o discurso de controle de despesas ajudou a reposicionar o debate administrativo na cidade. Ainda que os poderes mantenham suas independências, é natural que determinadas agendas acabem influenciando o tom geral da política, especialmente aquelas com maior aderência junto à opinião pública.
Reduzir o próprio orçamento nunca é um gesto trivial no meio político. Ao fazê-lo, a Câmara sinaliza atenção ao momento e evita se distanciar de uma expectativa cada vez mais presente no eleitorado: a de estruturas públicas mais enxutas e previsíveis.
Mais do que alinhamento automático, o episódio parece refletir uma adaptação ao clima político atual, no qual responsabilidade fiscal deixou de ser diferencial e passou a funcionar como requisito básico de gestão.
Se é cedo para falar em convergência permanente, o movimento ao menos indica uma tendência: a de que o debate sobre gastos públicos deve ocupar posição cada vez mais central na dinâmica política.
Em tempos de eleitor atento, às vezes o maior gesto político não está em ampliar despesas, mas em demonstrar disposição para contê-las.






