Artigo de Altair Silva, deputado estadual

Santa Catarina vive um dos momentos mais delicados de sua história recente na cadeia produtiva do leite. O setor, responsável por sustentar milhares de famílias e por manter viva a economia de centenas de pequenos municípios, enfrenta uma crise longa, profunda e estrutural, que ameaça não apenas a renda das propriedades rurais, mas todo o futuro do campo catarinense.
As causas são conhecidas, mas nem por isso menos graves: aumento dos custos de produção, queda no preço pago ao produtor, carga tributária elevada, práticas desleais de mercado e uma política nacional insuficiente, incapaz de proteger quem vive da agricultura.
O produtor catarinense compete hoje com produtos subsidiados vindos de países vizinhos, muitos deles com indícios de dumping. Além disso, há a prática crescente de reidratação de leite em pó para comercialização como se fosse leite fluido, o que derruba os preços internos e destrói a confiança do consumidor. Esse cenário torna ainda mais evidente a necessidade de ações urgentes para impedir que o trabalho de décadas seja perdido. A cadeia do leite sustenta milhares de famílias. Se não for feito nada agora, perderemos muito mais do que produção, perderemos o futuro do campo.
A resposta do Estado Brasieliro precisa ser rápida e estruturada. Tenho apresentado propostas que dialogam diretamente com as dores do setor. Entre elas, está o projeto de lei que proíbe e estabelece sanções às empresas que reidratarem leite em pó para venda como leite fluido, medida já adotada no Paraná, encaminhada no Rio Grande do Sul e discutida nacionalmente na Câmara Federal. Além disso, defendo a redução da carga tributária sobre insumos e produtos lácteos, o fortalecimento da fiscalização das importações e a valorização da produção nacional, incluindo sua presença na merenda escolar e nas cestas básicas, de modo a garantir mercado, previsibilidade e renda.
O futuro da atividade leiteira no Estado depende de uma combinação de coragem política, modernização, proteção de mercado e valorização do talento dos produtores, tudo isso sem, necessariamente, subir o preço para o consumidor final. Santa Catarina já demonstrou inúmeras vezes sua capacidade técnica e sua força no agro. O que falta, agora, é assegurar que essa tradição continue viva. O leite catarinense é resultado de trabalho duro, dedicação familiar e um modelo agrícola baseado na pequena propriedade, no cooperativismo e na sustentabilidade. Preservá-lo significa preservar a identidade e o desenvolvimento de todo o Estado.






