Adriano Silva diante do momento Kairós: renunciar ou não para disputar o Governo de Santa Catarina?

Kairós, o Deus da Oportunidade, circulou o pensamento de Adriano Silva durante o recesso de final do ano.

O ano de 2026 começa com uma pergunta na área política que vai nortear o futuro de Joinville. O prefeito Adriano Silva renuncia ao seu cargo para disputar eleição ao governo do estado de Santa Catarina? 

Na minha estreia neste espaço no portal Upiara.net, em outubro, eu abordei justamente este dilema (ler aqui) e alertei que na política recomenda-se não perder oportunidades. É preciso ficar atento ao que ensina a mitologia grega sobre Kairós, o Deus da Oportunidade, que era cabeludo na frente e careca na parte de trás. A dica é que a oportunidade você pega de frente ou, se deixar passar, não consegue mais segurar. 

A coluna foi escrita há exatos 3 meses e causava estranheza Adriano Silva não ser mencionado em pesquisas eleitorais. No mês seguinte, em novembro, a Neokemp trouxe o nome do prefeito de Joinville mostrando que ele tinha cerca de 8% das intenções de voto sem sequer lançar uma pré-candidatura (veja aqui). 

Foi o suficiente para acender o estopim e surgir uma enxurrada de manifestações de apoio a candidatura, principalmente vindas do diretório estadual do Novo. Adriano estava no páreo e a sua candidatura praticamente força um segundo turno. 

Decisão difícil e solitária

Adriano Silva e a definição de ser pré-candidato ao governo.

Inegável que é uma decisão difícil e que cabe somente ao prefeito a resposta final, obviamente depois de consultar famíliares, amigos e conselheiros. Adriano parecia até outubro do ano passado não muito disposto a disputar uma eleição estadual. Sua preferência era aguardar outro momento, talvez em 2030. Tinha como foco concluir seu mandato, fazer seu sucessor, mas primeiramente eleger à Câmara Federal a sua vice-prefeita Rejane Gambin. Este era o plano. Mas as pesquisas colocaram um peso sobre o potencial de Adriano que carrega uma administração aprovada na última eleição com 78% os votos. E não é pouca coisa quando se trata do maior colégio eleitoral do Estado.

Vinte quatro anos depois, um prefeito de Joinville poderá retornar a disputa eleitoral como azarão disputando contra a máquina do atual governador. Foi assim em 2002 com o então prefeito Luiz Henrique da Silveira (MDB), que renunciou o cargo e partiu para uma disputa contra o governador à época Esperidião Amin (PP), um franco favorito. A história mostrou que uma vitória improvável se constrói com coragem. 

Renúncia causará rebuliço na política catarinense

É preciso ficar de olho no calendário. No dia 6 de abril, um sábado, é o prazo final conforme o calendário eleitoral (confere aqui), ou seja, seis meses antes da eleição em 6 de outubro, um domingo. O prefeito Adriano ainda tem tempo, exatos três meses. Teoricamente terá que amadurecer a renúncia até o final de fevereiro e decidir em meados de março. Precisa deixar a Prefeitura para a vice Rejane Gambin e começar um plano de estadualização do nome. Esse é um movimento que mexe com muitos esqueletos. Bagunça o cenário em outros partidos, nomes para a nominata a deputado estadual e federal, além de possíveis coligações. 

Marqueteiros apostam que dá tempo

Ouvi alguns marqueteiros que estão acostumados a fazer campanhas políticas. Muitos deles acreditam que há tempo e espaço para se construir uma candidatura em nível estadual, mas colocam algumas variantes importantes, entre elas uma estratégia digital eficiente e tempo de televisão para poder mostrar as realizações de Joinville. O tempo de TV, menosprezado por aqueles que acreditam no poder do digital, ainda tem função importante pelas inserções comerciais, com poder relevante para construir narrativas (de ataque e de defesa). Outro favor importante é aliar-se com partidos que tem densidade de prefeitos em várias regiões do Estado. Esses três fatores, em seis meses, pode-se construir uma campanha no mínimo competitiva. O staff de Adriano sabe disso.

Cada mergulho uma reflexão

Entre um mergulho e outro no mar calmo e cristalino da praia de Ubatuba, em São Francisco do Sul, a decisão e os desdobramentos passaram pela cabeça do prefeito de Joinville. Pessoas próximas falam abertamente sobre o assunto e a viabilidade de uma candidatura. Já Adriano estaria mais animado com a ideia e anda fazendo cálculos. Vereadores do Novo em Joinville e o deputado estadual Matheus Cadorin são os mais entusiasmados. 

O esforço para não romper com Jorginho

Jorginho Mello e Adriano Silva
Jorginho Mello e Adriano Silva

Talvez o maior drama seja o rompimento da relação com o governador Jorginho Mello (PL). Adriano tem sido fiel ao governador que tem feito movimentos para ajudar Joinville, principalmente envolvendo o hospital municipal São José. Mas há descontentamentos dentro da Prefeitura sobre a demora na liberação de recursos para obras. O tempo é curto. Jorginho tenta com força construir a parceria e coloca até o enquadramento e o risco de expulsão do vereador vereador Clayton Profeta (PL) no jogo. Profeta é um dos maiores críticos do governo na Câmara de Vereadores. O governador vai continuar na construção de unir toda a direita de Santa Catarina em um só projeto e para isso tem a máquina na mão e equipe de marketing competente.

PSD pode ser fiel da balança

Quem observa tudo com atenção é o PSD, que tem o prefeito de Chapecó João Rodrigues como pré-candidato ao governo. O partido Novo e PSD tem relação próxima em Joinville e liderança principal do deputado estadual Júlio Garcia, um dos validadores do primeiro apoio que Adriano recebeu para a reeleição de 2024. Fui justamente o PSD que deu o maior tempo de TV para Adriano sem exigir “nada em troca”. No entanto, ano passado recebeu de presente o comando da Prefeitura por 10 dias para assumir o presidente da Câmara de Vereadores Diego Machado. A curta interinidade deu alguns ruídos, mas a tropa de choque entrou em ação para manter a harmonia. O PSD tem um universo de 41 prefeitos em Santa Catarina e lidera a capital Florianópolis (Topázio Neto), São José (Orvino Avila) e Chapecó (João Rodrigues).

Estreia na radio 89 FM

Colunista do Portal Upiara, o jornalista Marco Aurélio Braga vai apresentar dois programas no horário nobre de 89 FM em Joinville

Aproveito para convidar você leitor da coluna Sempre às 7 para acompanhar os dois programas que passo a apresentar a partir de hoje na 89 FM em Joinville. O programa Ponto de Partida das 6h30 às 8 horas, de segunda a sexta, com muita informação e análise sobre Joinville, Santa Catarina, Brasil e o Mundo. No final da tarde eu retorno para o programa Joinville em Foco, das 18 às 19 horas, também de segunda a sexta-feira, onde abordarei muito serviço, trânsito e resumo do dia. Conto com a sua audiência. Sintonize na 89,5 do rádio, ou assista no Youtube ou baixe o aplicativo da 89 FM Joinville.

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