Estão disputadíssimos os convites para o evento marcado para esta sexta-feira, no restaurante Folhas, em Jurerê, no norte da Ilha de Santa Catarina. A noite celebra os 60 anos de Gelson Merísio, que aniversaria oficialmente em 31 de janeiro.

Aquariano do elemento Ar — independência, racionalidade e vocação para o futuro, segundo o oráculo —, Merísio reunirá à mesa um cardápio político variado. Estão confirmadas presenças da antiga direita, da esquerda em suas versões festiva e combativa, emedebistas históricos e figuras da ala sem partido.
Nos bastidores, corre a informação — ainda não confirmada — de que até o vice-presidente Geraldo Alckmin pode aparecer para um brinde. Também não deve causar espanto a presença discreta de colaboradores do governador Jorginho Mello, possivelmente evitando registros fotográficos. O aniversariante preserva amizades sólidas nesse grupo.
De volta ao cenário político após um período de hibernação — quando se dedicou à iniciativa privada no grupo J&F, maior conglomerado econômico do país —, Merísio retorna aliado ao PT, parceria já ensaiada em 2022. A missão é clara: ajudar a costurar uma frente de centro-esquerda para disputar o Governo do Estado.
Entre os partidos alinhados à esquerda, apenas o PSOL, que já lançou o vereador Afrânio Bopré como pré-candidato, não deve integrar a aliança. Nas últimas semanas, especialmente após os movimentos do governador Jorginho Mello, que escanteou o MDB e a Federação União Progressista, Merísio intensificou conversas com lideranças de várias siglas.
O aniversário, mais do que uma celebração pessoal, transformou-se em ponto de encontro político — e em convite explícito a alianças futuras.
Carreira política sofreu com a onda
A trajetória política de Merísio começou no final dos anos 1980, quando se elegeu vereador em Xanxerê pelo então PDS, herdeiro direto da Arena. Em 2002, disputou vaga na Assembleia Legislativa e ficou na segunda suplência do PFL, com pouco mais de 34 mil votos.
Em 2005, com o acordo entre MDB e PFL, assumiu uma cadeira na Alesc até o fim do mandato. Foi eleito deputado estadual em 2006 e, em 2010, chegou pela primeira vez à presidência da Assembleia. Reeleito naquele ano, tornou-se o deputado mais votado de Santa Catarina.
Em 2014, repetiu o feito com 119 mil votos — a maior votação já registrada até então para um deputado estadual no Estado.
Em 2018, avaliou que havia chegado a hora de disputar o governo catarinense. Rompeu com o MDB, antigo aliado de seu grupo político, e apostou numa aliança com o PP. Foi ao segundo turno, superou o emedebista Mauro Mariani, mas acabou tragado pela onda bolsonarista que varreu o país. Derrotado por Carlos Moisés, terminou o segundo turno com menos votos do que havia obtido no primeiro.
Agora, aos 60, Merísio sopra velas com um olho no bolo e outro no tabuleiro político. Em Jurerê, a comemoração promete ser menos sobre o passado — e mais sobre os movimentos que vêm pela frente.
Guinada à esquerda começou em 2022
Em 2022, Gelson Merísio manteve atuação política intensa, ainda que restrita aos bastidores. Trabalhou pela candidatura de Décio Lima (PT) ao Governo do Estado, tendo Dario Berger — então recém-egresso do MDB e filiado ao PSB — como candidato ao Senado.
Seus movimentos influenciaram também a escolha de Bia Vargas, hoje no PT e à época no PSB, como vice na chapa de Décio. As articulações resultaram em um feito histórico: a primeira ida de um candidato petista ao segundo turno em Santa Catarina.
Não foi suficiente, porém, para conter nova avalanche bolsonarista no Estado, que garantiu a eleição de Jorginho Mello.
Desta vez, Dario Berger está fora do tabuleiro. Merísio, ainda filiado ao Solidariedade, mas com possibilidade de migração para o PSB ou até para uma nova sigla — nem o MDB está descartado —, deve disputar o Governo do Estado, com Décio Lima projetado para a corrida ao Senado.
Nos bastidores, atribui-se a ele uma missão clara: trabalhar para reduzir a histórica vantagem da extrema direita sobre Lula em Santa Catarina. Em 2022, no segundo turno, Bolsonaro venceu com 70% dos votos contra 30% do petista.
Articulado e novamente em movimento, Merísio inicia nesta sexta-feira, ao lado de políticos de diferentes ideias, origens e trajetórias, mais uma caminhada. O tempo dirá se, aos 60, o aquariano do elemento Ar conseguirá transformar sua festa em uma grande articulação eleitoral.






