Brasília: o que o Agro precisa saber (semana de 5 a 10 de janeiro)

Nesta edição Brasília: o que o Agro precisa saber, a primeira semana cheia de 2026 deixou claro que o agro não entrou no ano em marcha lenta. Pelo contrário. O setor começou janeiro lidando simultaneamente com orçamento apertado, crédito caro, exigências ambientais crescentes, pressão climática e mercados internacionais ainda instáveis.

Em Brasília, o veto presidencial à proteção do Seguro Rural e da Embrapa na LDO 2026 acendeu o sinal vermelho logo na largada. No campo, o produtor voltou a fazer contas diante de juros que consomem mais do que a margem permite.

O clima entrou oficialmente na agenda com a confirmação do La Niña até fevereiro. E cadeias sensíveis — como arroz, leite, cebola, mel e logística — mostraram que os temas de 2025 continuam vivos em 2026.

A semana também trouxe movimentos estruturantes: estados legislando onde a União patina (leite), Santa Catarina investindo em educação técnica e pesquisa aplicada, e o Mercosul tentando sair da novela para virar realidade.

Por Letícia Schlindwein da Agro Agência Catarina — direto de Brasília

Agro em Alerta: O que marcou a semana?

Orçamento sob risco

O veto do governo federal à blindagem orçamentária do Seguro Rural e da Embrapa expôs o agro a contingenciamentos em pleno ano de risco climático elevado. A FPA promete reagir em fevereiro.

Crédito rural no limite

Levantamento da Farsul mostrou um quadro preocupante:
📉 para cada R$ 1 de lucro, o produtor paga R$ 3,33 em juros.
A carteira de crédito rural chegou a R$ 812,7 bilhões, com crescimento acelerado da inadimplência e renegociações a juros livres.

Leite volta ao centro do debate

A Conab entrou em campo com R$ 106 milhões para compra de leite em pó, com forte concentração no Sul. O tema, que dominou 2025, segue estratégico em 2026.

La Niña confirmado

O fenômeno climático deve persistir até fevereiro, com padrão irregular de chuvas. O risco não é apenas seca ou excesso de água, mas imprevisibilidade.

Mercosul em fase decisiva

A União Europeia ampliou concessões ao agro local para destravar o acordo. Itália virou fiel da balança. O Brasil mantém otimismo, mas o jogo segue político.

Mel catarinense ameaçado

Com sobretaxas que podem chegar a 40% nos EUA, o mel de Santa Catarina corre risco de encalhar. O mercado interno não absorve o excedente.

Cebola e arroz mostram o paradoxo

Produtividade recorde, tecnologia avançada — e renda pressionada. Eficiência segue sem garantir rentabilidade.

Educação como estratégia

A Epagri assumiu a gestão dos Cedups Agrotécnicos e reposicionou a formação técnica rural em SC como política de longo prazo.

Indicadores da Semana

📊 Crédito Rural Total: R$ 812,7 bilhões
📉 Carteira estressada: R$ 123,6 bilhões
🌾 Produção de grãos 25/26 (Conab): até 355 milhões de toneladas
🧀 Compra institucional de leite (Conab): R$ 106 milhões
🌡️ Clima: La Niña ativo até fevereiro
🌍 Comércio exterior: acordo Mercosul–UE ainda indefinido

Radar do Agro: O que acompanhar na semana de 12 a 16 de janeiro?

Orçamento: articulações da FPA para derrubada do veto na LDO
Clima: monitoramento dos efeitos do La Niña no Sul e Centro-Oeste
Crédito: debate sobre renegociação de dívidas e limites de juros
Mercosul: possível sinal verde da UE e reação dos agricultores europeus
Estados: avanço de legislações setoriais (leite, defesa sanitária, logística)
Mercado: ajustes de área plantada e estoques elevados (arroz)

Visão da Semana | 2026 começou sem desconto

O agro entrou em 2026 sem direito a aquecimento. O orçamento encolheu, o crédito apertou, o clima ficou imprevisível e o mercado internacional segue cheio de condicionantes. Ao mesmo tempo, estados e produtores mostram capacidade de reação, seja por meio de políticas próprias, tecnologia ou organização institucional.

Não será um ano fácil. Mas será um ano decisivo.
Quem tiver informação, estratégia e fôlego, atravessa melhor.

Ano novo, velhos desafios — e decisões mais rápidas

A primeira semana de 2026 mostrou que o agro segue no centro do tabuleiro político, econômico e climático. Produzir continua essencial. Planejar virou obrigação. E acompanhar Brasília deixou de ser opção.

O Agro em Pauta segue semanalmente – porque, neste ano, quem piscar, perde o timing.

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