Camilo Martins escreve artigo sobre o Projeto de Lei nº 0036/2025, que cria uma rede de apoio para mães atípicas em SC, oferecendo acolhimento, orientação e suporte para quem enfrenta jornadas silenciosas e desafiadoras.

Em cada canto de Santa Catarina, há mulheres que enfrentam jornadas silenciosas e desafiadoras. Elas são mães atípicas — mulheres que dedicam suas vidas ao cuidado de filhos com deficiências, síndromes, transtornos ou doenças raras. São guerreiras invisíveis, muitas vezes esquecidas pelo Estado e pela sociedade. Com o Programa Cuidando de Quem Cuida, queremos mudar essa realidade.
Apresentei na Assembleia Legislativa o Projeto de Lei nº 0036/2025 com um objetivo claro: criar uma rede de atenção, orientação e acolhimento às mães atípicas do nosso Estado. Mãe cujos filhos sejam diagnosticados com doenças raras ou deficiências, como síndrome de Down, transtorno do espectro autista (TEA), deficiência intelectual, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), transtorno do déficit de atenção (TDA) e dislexia. Essas mulheres precisam mais do que palavras de reconhecimento — precisam de políticas públicas que respeitem sua realidade, amparem suas dores e ofereçam caminhos para o autocuidado, o equilíbrio emocional e o fortalecimento de suas redes de apoio.
Dados alarmantes mostram que 78% dos pais abandonam essas mães antes dos filhos completarem cinco anos de idade. A solidão, a sobrecarga emocional, as dificuldades financeiras e a luta constante por inclusão e acessibilidade são marcas profundas em suas histórias. Algumas enfrentam jornadas tão exaustivas que o cansaço físico e emocional é comparável ao de soldados em combate.
O programa proposto tem como diretrizes oferecer apoio psicossocial, orientação terapêutica, acolhimento pós-parto, ações educativas e uma ampla rede de serviços integrados nas áreas de saúde, educação, assistência social, direitos humanos e justiça. Também prevemos medidas práticas, como atendimento domiciliar, centros especializados, acesso a tecnologias assistivas e suporte durante atividades cotidianas.
Queremos ir além da assistência. Desejamos que essas mães se sintam parte de uma rede que escuta, ampara e transforma. Que possam encontrar em rodas de conversa, oficinas temáticas e espaços de escuta ativa, não só conhecimento, mas pertencimento. Que sejam vistas e valorizadas por sua força, mas também acolhidas em sua vulnerabilidade.
Este projeto nasce da escuta de mães atípicas, de suas experiências e histórias de superação. É fruto do nosso compromisso com a dignidade humana e com a construção de um Estado que reconhece a diversidade das suas famílias e oferece suporte real para quem mais precisa.
A você, mãe atípica, que nunca desistiu do seu filho e que muitas vezes esquece de si mesma: este programa é para você. E a você, cidadão catarinense, peço apoio para esta causa. Cuidar de quem cuida é uma forma de construir uma sociedade mais justa, sensível e inclusiva.
Camilo Martins é deputado Estadual e ex-prefeito da Palhoça.