Economia verde: desenvolvimento que gera emprego, renda e competitividade em Santa Catarina. Por Cleiton Fossá

Artigo de Cleiton Fossá, Secretário do Meio Ambiente e da Economia Verde de Santa Catarina

Durante muito tempo, falar de meio ambiente no Brasil significou falar de limites. Limite para produzir, para investir, para crescer. Mas a realidade vem mudando e Santa Catarina é um dos exemplos mais claros de que preservar e desenvolver não são caminhos opostos, são complementares.

Um estudo elaborado pelo Governo do Estado sobre Economia Verde mostra que o modelo já é parte concreta da economia catarinense: movimenta cerca de R$ 67 bilhões e sustenta aproximadamente 775 mil empregos, o que representa um a cada quatro trabalhadores do Estado. O material utiliza a classificação das atividades econômicas (CNAE), cruzamento de dados do PIB, do mercado de trabalho formal e do Censo Agropecuário, buscando medir com precisão onde a economia verde já acontece e onde ainda há espaço para avançar.

Mas afinal, o que é economia verde? De forma objetiva, economia verde é um modelo de desenvolvimento que busca gerar crescimento econômico, emprego e renda, ao mesmo tempo em que reduz impactos ambientais e o desperdício de recursos naturais, promovendo a inclusão social. Essa definição, adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU), se apoia em três pilares: baixa emissão de carbono, eficiência no uso dos recursos e inclusão social.

O levantamento de dados sobre Economia Verde traz importantes dados por setor. Na agropecuária, Santa Catarina se destaca nacionalmente. O estudo aponta que 90% do PIB agropecuário está associado a atividades classificadas como economia verde. Agricultura familiar forte, pequenas propriedades, cooperativismo, tecnologia aplicada à produção e uso mais eficiente do solo, da água e da energia explicam esse protagonismo. Não por acaso, 57% dos empregos verdes do Estado estão no campo. O agro catarinense mostra que produtividade e responsabilidade ambiental podem caminhar juntas.

Nos serviços, a economia verde aparece principalmente nas áreas de educação, saúde, administração pública e serviços sociais, setores fundamentais para o pilar da inclusão. Aproximadamente 15% do PIB dos serviços é considerado verde, respondendo por cerca de 36% dos empregos verdes do Estado. Aqui, a economia verde se traduz em qualidade de vida, acesso a serviços e redução de desigualdades.

Já na indústria, os dados revelam o desafio e, ao mesmo tempo, a oportunidade. Apenas 10% do PIB industrial catarinense é classificado hoje como economia verde, concentrado especialmente em áreas como energia, água, esgoto, gestão de resíduos e descontaminação. É justamente aí que está um dos maiores potenciais de crescimento: eficiência energética, economia circular, inovação de processos, redução de perdas e descarbonização da produção.

Esses números ajudam a entender por que a economia verde deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ser uma estratégia de competitividade. Em um mundo cada vez mais atento a critérios ambientais, sociais e de governança, produzir com eficiência e rastreabilidade não é custo: é vantagem. Estados, que oferecem segurança jurídica, regras claras e capacidade de execução atraem mais investimento, acessam mercados mais exigentes e geram empregos mais qualificados.

Santa Catarina construiu uma base importante nesse sentido. Possui um dos marcos ambientais mais modernos do país, planejamento estratégico de longo prazo e programas estruturantes nas áreas de resíduos, energia, água e transição energética. Isso cria previsibilidade para quem investe e proteção para quem vive aqui.

Mas talvez o ponto mais importante seja o impacto direto na vida das pessoas. Economia verde significa mais qualidade de vida, menos desperdício, mais emprego perto de casa, cidades mais organizadas, água de qualidade e menos risco ambiental. Significa transformar política ambiental em política pública que resolve problemas reais e cria oportunidades.

O desafio de Santa Catarina, daqui para frente, é subir a régua, expandir, proteger e valorizar o motor que puxa o Estado, que é o agro, dar o salto na indústria e na infraestrutura verde. Já nos serviços, buscar ampliar inclusão e qualificação, porque economia verde também é sobre pessoas. Isso exige diálogo, técnica, apoio aos municípios e foco em projetos executáveis. Exige ainda, entender que o desenvolvimento acontece no território, onde as pessoas vivem e trabalham.

Economia verde, quando bem conduzida, não é ideologia. É maturidade. É a escolha de um Estado que entende que crescer bem é crescer com inteligência, responsabilidade e visão de futuro, indo além de um discurso bonito para se tornar uma solução concreta para a vida das pessoas.

O estudo completo, na versão digital, pode ser acessado aqui.

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