O agro brasileiro abre a semana com números históricos na exportação, mas também com o radar ligado para riscos sanitários, custos elevados e decisões que precisam ser tomadas dentro da porteira.

Mesmo sob tarifaço e pressão internacional, o Brasil alcançou em 2025 o maior volume de exportação de carne bovina da história, ampliando presença global e consolidando mercados.
Ao mesmo tempo, o país apertou o botão vermelho da sanidade no Piauí, viu o hectare virar artigo de luxo no Sul e lembrou o produtor de que o calendário não perdoa: o Funrural precisa ser escolhido até o fim do mês.
Entre recordes e riscos, o agro segue jogando em campo grande.
Brasil bate recorde histórico na exportação de carne bovina
O Brasil encerrou 2025 com o maior volume de exportação de carne bovina da sua história, vendendo para mais de 170 países, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Foram mais de 3,5 milhões de toneladas embarcadas, com receita de US$ 18,03 bilhões — altas de 20,9% em volume e 40,1% em valor na comparação com 2024. Mesmo com impactos pontuais do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o setor respondeu rápido e ampliou mercados.
A China seguiu como principal destino, respondendo por 47,7% das exportações, com 1,676 milhão de toneladas e US$ 8,9 bilhões em receita. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 271,8 mil toneladas e US$ 1,64 bilhão, seguidos por Chile, União Europeia, Rússia e México.
Segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa, o desempenho de 2025 reforça a capacidade de reação da indústria brasileira e abre caminho para novos mercados estratégicos em 2026, como Japão, Coreia do Sul e Turquia.
Se 2025 fosse campeonato, o algodão levava o troféu
No ranking das exportações, o algodão brasileiro foi o campeão disparado de 2025. O país exportou 3 milhões de toneladas, acima das 2,8 milhões do ano anterior. Só em dezembro, foram 452,5 mil toneladas, recorde mensal, impulsionado por colheita histórica e logística funcionando sem sustos.
A China liderou as compras, seguida por Bangladesh e Paquistão. A StoneX já projeta que 2026 pode ter produção um pouco menor, reflexo de preços internacionais mais baixos — aquele tipo de “desânimo silencioso” que o produtor entende sem precisar de legenda.
Na carne suína, o Brasil também fechou o ano com números robustos: 1,51 milhão de toneladas exportadas, alta de 11,6%, e receita de US$ 3,62 bilhões. O destaque ficou para a diversificação de mercados: as Filipinas assumiram a liderança, enquanto a China reduziu participação, diminuindo a dependência de um único comprador.
Piauí decreta emergência por Peste Suína Clássica
No campo sanitário, o Piauí decretou emergência zoossanitária por 180 dias após a confirmação de um foco de Peste Suína Clássica (PSC) no município de Porto, no norte do Estado. A medida permite acelerar ações de contenção, restringir circulação de animais e intensificar a fiscalização.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reforçou que o caso não afeta as exportações brasileiras de carne suína, já que ocorreu em área considerada endêmica para a doença. Além disso, a PSC não é zoonose — não oferece risco à saúde humana.
Vale o esclarecimento:
- Peste Suína Clássica (PSC) e Peste Suína Africana (PSA) são doenças diferentes.
- A PSC ainda aparece em áreas não livres no Brasil.
- A PSA, considerada muito mais grave por não ter vacina eficaz, não circula no país.
Neste episódio, o roteiro é técnico: controle local, fiscalização rígida e exportações seguindo normalmente.
Hectare de grife e hectare de pechincha: o Sul no camarote VIP
O Atlas do Mercado de Terras 2025, divulgado pelo Incra, escancarou a valorização da terra no Brasil — com o Sul ocupando o camarote VIP.
Em Xanxerê (SC), áreas destinadas à produção de grãos já aparecem na casa de R$ 209.400 por hectare.
No comparativo regional, o Sul lidera com médias acima de R$ 40 mil por hectare, seguido por Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. A média nacional ficou em R$ 22.951,94, representando valorização de 28,36% em relação ao levantamento anterior.
O dado chama atenção para outro movimento: a terra deixou de ser apenas meio de produção e passou a ser ativo estratégico — especialmente em regiões com logística, cooperativismo forte e alta produtividade, como Santa Catarina.
Funrural: produtor tem até o fim do mês para decidir
Para fechar a conta do mês, o produtor rural pessoa física tem até 31 de janeiro para escolher a forma de recolhimento do Funrural, opção que vale para todo o ano de 2026.
A escolha é entre:
- Recolhimento sobre a receita bruta da comercialização, com retenção automática de 1,5% na venda; ou
- Recolhimento sobre a folha de pagamento, com alíquotas entre 21,2% e 23,2%, conforme o risco da atividade.
Para optar pela folha, é obrigatório apresentar declaração formal à empresa compradora da produção. Sem isso, a retenção ocorre automaticamente na venda.
Entidades como a CNA disponibilizam simuladores para ajudar na decisão. Planejamento agora evita sustos no caixa ao longo do ano.
Recorde não dispensa cautela
O agro brasileiro exporta como nunca, ocupa mercados globais e valoriza a terra — mas segue jogando com atenção máxima. Sanidade, custos, decisões fiscais e calendário apertado continuam fazendo parte da rotina.
Produzir bem segue essencial. Decidir bem virou sobrevivência.
A Política e Agro acompanha.





