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15 de abril de 2024

Jorginho: “Plano 1000 não acabou, o que acabou foi o modo de ofertar dinheiro igual ao Silvio Santos”

Iniciando a quarta semana à frente do governo do Estado, Jorginho Mello (Partido Liberal) ainda não apresenta um diagnóstico completo da situação em que recebeu a máquina estadual das mãos do antecessor Carlos Moisés (Republicanos), mas já antecipa que “não é aquela belezura que o ex-governador falava”. O governador foi entrevistado por Adelor Lessa, Maga Stopassolli e Upiara Boschi na manhã desta segunda-feira no quadro Plenário, na Rádio Som Maior.

Em pouco mais de meia hora de conversa, Jorginho falou sobre as mudanças que pretende implementar na estrutura administrativa do governo, o perfil dos nomes ainda não escolhidos para o secretariado, a construção da governabilidade na Assembleia Legislativa, deu detalhes sobre a promessa de comprar todas as vagas de ensino superior do Sistema Acafe e anunciou o início de um mutirão de cirurgias a partir desta terça-feira, que deve ser detalhado pelo secretária Carmen Zanotto (Cidadania), da Saúde.

Na introdução da conversa, o governador comentou sobre a atual conjuntura do Estado em termos financeiros. Ainda nesta segunda-feira, Jorginho deve se reunir com representantes do Poder Executivo, Legislativo e Ministério Público na Casa d’Agronômica para debater o tema. Jorginho garante que vai dar continuidade ao Plano 1000, programa do governo Moisés de repasse de recursos aos municípios para obras de infraestrutura, mas que vai mudar a lógica de distribuição do dinheiro.

– O Plano 1000 não acabou. O que acabou foi o modo de ofertar dinheiro igual ao Silvio Santos – “quem quer dinheiro” – ironizou.

Ouça a íntegra da entrevista:

Jorginho também disse não ter pressa para apresentação da reforma administrativa. A intenção inicial era editar uma medida provisória com o reordenamento do secretariado nos primeiros dias de governo, mas a data vem sendo protelada. Segundo ele, a Mp pode ficar para depois da posse da nova legislatura da Alesc, dia 1° de fevereiro. Mesmo com a criação de secretarias, Jorginho garante que a reforma não vai criar gastos.

– Estou fazendo essa reforma para diminuir o gasto. Estamos criando secretarias, mas o corpo das secretarias tem muitas funções que estamos suprimindo de outras secretarias. Então estamos fazendo um enxugamento no organograma, na estrutura do Estado como um todo, para que não gere despesa. Não temos pressa, a Assembleia volta no dia 1 de fevereiro, vou fazer a medida provisória que vige imediatamente, depois a Assembleia tem prazo de 120 dias para se pronunciar – disse.

A reforma administrativa vai recriar as pastas de Segurança Pública, Planejamento e de Turismo, Cultura e Esporte. Também será desmembrada em três a atual Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável, criando as pastas de Indústria, Comércio e Serviços, de Meio Ambiente e de Inovação, Ciência e Tecnologia. Por fim, será criada também uma secretaria específica para portos, aeroportos e ferrovias. Jorginho não antecipou nomes, mas disse que gostaria de contar com o empresário e ex-prefeito de Imbituba, Beto Martins (Pl), na nova pasta.

Sobre a disputa pela presidência da Alesc, Jorginho disse que quer ajudar a construir o consenso, para evitar uma disputa que deixe sequelas. Garantiu que o candidato que tenha maioria vai receber os 11 votos do Partido Liberal, citando entre as alternativas Mauro de Nadal (Mdb), Zé Milton Scheffer (Progressistas) e Júlio Garcia (Psd). Citou também esse trio de partidos – Mdb, Progressistas e Psd – como as legendas que ele quer contar no secretariado. Ele não detalhou as pastas, já ofereceu a Infraestrutura aos emedebistas. Nos bastidores, é dado como certo que o Progressistas terá a nova pasta de Indústria, Comércio e Serviços, com o ex-deputado estadual Silvio Dreveck, e que a secretaria de Turismo, Cultura e Esporte será oferecida ao Psd.

Principal promessa de campanha de Jorginho, o programa Faculdade Gratuita. Segundo ele, o governo vai fazer um “pente fino” nas contas para viabilizar os R$ 2 bilhões necessários para custear a promessa e que as primeiras conversas com o secretário Aristides Cimadon, da Educação, já foram realizadas. Entre os critérios para ter direito ao projeto, o estudante precisa residir ao menos cinco anos em SC e, depois de formado, retribuir com trabalho. O governador também antecipou que está sendo estudado um mecanismo para quem tem condições de pagar pela universidade possa devolver parte do recurso investido ao Estado.

– Nós temos um critério, que o empresário abastado que tem um filho estudante, de forma organizada e consensual,  devolva pelo menos a metade do valor que o Estado investir. Porque, como nós vamos universalizar, não vamos ver a camada social do aluno. Mas, pela consciência que nós queremos instalar, queremos que o empresário bem sucedido devolva para um fundo estadual um valor de 50% – afirmou.


Sobre a foto em destaque:

Jorginho Mello no Centro Administrativo. Foto: Ricardo Trida, Secom.

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