Ler o mar antes de entrar: a estratégia que 2026 vai exigir. Por Déia Zoboli

Artigo de Déia Zoboli, CEO da Cofound

Quando resolvi aprender a surfar, entendi que o surfe começa antes de entrar na água. É um exercício de persistência e estratégia. Você observa o mar, lê o vento, sente a corrente e mede o intervalo entre as ondas. Serão muitas quedas pra pegar uma onda que fica na memória.

Fazendo um paralelo com o ano que vem, 2026 tende a ser um mar bem movimentado. É preciso estar atento aos movimentos para poder lidar com essas ondas brabas que vem por aí. Será uma espécie de “ano de nove meses”: reforma tributária, muitos feriados quebrando o ritmo, Copa do Mundo puxando atenção e energia do País e eleições aumentando ruído.

A missão não se resume a ficar de pé na prancha. É saber onde entrar, quando remar e como ajustar no meio da onda — afinal, ela é sempre perfeita. Nós é que precisamos nos ajustar a ela.

Em Santa Catarina, especialmente em Joinville, a gente aprende cedo que planejamento não é luxo. Quando a indústria e os serviços se movem juntos, qualquer mudança em calendário, custo ou regra aparece rápido na rotina: prazos, margem, capacidade, energia do time. Por isso, mais do que ter um plano bonito, 2026 vai pedir um jeito confiável de operar quando o mar muda.

Para esse ano, o planejamento começa com uma boa pesquisa. Escutar é um ato de coragem e é da escuta ativa que se colhem os melhores insights. É isso que chamo de jornada estratégica: um processo vivo, colaborativo e cíclico, que conecta diagnóstico, direcionamento e execução. Não é um “evento anual”. É uma construção contínua que se adapta à velocidade do mercado e mantém o time alinhado ao propósito e aos resultados.

Na prática, eu gosto de pensar em quatro movimentos simples:

Radar (escuta ativa): o que o cliente está sinalizando? O que o time está sentindo? O que o caixa está contando? O que a regulação está exigindo?

Norte (escolhas claras): quais são as 3 prioridades que não mudam a cada semana? Para o que vamos dizer “não”?

Cadência (rituais curtos): estratégia vira cultura quando entra na agenda. Cultura, no fim, é rotina.Aprendizado (ajuste rápido): terminou um ciclo? O que a gente mantém, o que a gente para, o que a gente ajusta?

O ponto central é que, quando a estratégia vira um documento, ela morre no primeiro trimestre. Quando vira cadência, ela vira cultura. E cultura, no fim, é rotina — aquilo que acontece mesmo quando ninguém está motivando o time.

Ter clareza do objetivo é o que faz o time continuar tentando, errando, aprendendo, assim como no surfe. A clareza de que a onda perfeita virá, se você continuar remando, é que faz acontecer.

Por isso, planejar 2026 não é tentar adivinhar o futuro. É treinar o sistema para decidir bem, executar com consistência e aprender rápido. Não se trata de ter respostas prontas. Trata-se de ter um jeito confiável de operar quando o mar muda.

“Mas 2026 não vai exigir agilidade?” Vai. Só que reagir o tempo todo não é agilidade — é falta de direção. Agilidade de verdade é ajustar rota sem perder o norte. No surfe, você muda o ângulo na onda. Mas não entra no mar sem leitura e sem posicionamento.

E por aí, como está o planejamento para 2026? Você sente que está só reagindo ao calendário e ao contexto ou já começou a ler as ondas e construir cadência?

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