Em pelo menos duas ocasiões, ao ser questionado sobre futuras composições eleitorais, o governador Jorginho Mello (PL) afirmou que a vaga de vice em sua chapa será do MDB. O nome hoje indicado pelo partido é o do presidente estadual Carlos Chiodini, que integra o primeiro escalão do governo como secretário da Agricultura.

Nos bastidores, porém, Jorginho teria deixado escapar a interlocutores próximos que existe apenas um fator capaz de inviabilizar essa composição: uma eventual indicação, pelo MDB, do vice na chapa do presidente Lula (PT) em 2026.
Em outubro, durante um evento do MDB que reuniu cerca de cinco mil pessoas em Balneário Camboriú, o governador anunciou em discurso que o partido estará junto em 2026. Já em entrevista coletiva, no mesmo evento, o presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi, foi questionado sobre a possibilidade de a sigla compor como vice de Lula e respondeu que a decisão caberá à convenção nacional.
“O MDB tem diferenças regionais. Se você pegar o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste, ele tem uma característica mais de centro, mais centro-direita. No Nordeste, há maior proximidade com o governo federal”, justificou.
Se o motivo for apenas esse, o governador pode ficar descansado, conforme as lideranças emedebistas em Santa Catarina. Eles rechaçam essa hipótese e defendem que os diretórios estaduais tenham liberdade para decidir suas alianças.
“Temos mil motivos para não ser vice de Lula”
Para o presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini, hoje não existe qualquer possibilidade de o partido indicar o vice de Lula — não apenas por divergências ideológicas, mas, sobretudo, por razões regionais. “Temos mil motivos pra isso”, sustenta.
“Uma coligação com o PT inviabilizaria pelo menos três candidaturas competitivas a governador”, afirma Chiodini, citando Gabriel Souza (RS), Daniel Vilela (GO) e Ricardo Ferraço (ES), todos vice-governadores com potencial de disputa em 2026 e favoritos em seus Estados.
“São três candidatos fortes, em estados importantes, sem nenhuma afinidade com o PT. Pelo contrário, são adversários políticos”, argumenta. “E ainda há o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que disputa a reeleição e não aceita composição com o PT”, completa.
“Nós temos a palavra do governador”
Na mesma linha, o deputado federal Valdir Cobalchini, aliado de Jorginho Mello e defensor do nome de Chiodini para vice-governador, garante que a hipótese de o MDB indicar o vice de Lula é remota.
“Se esse assunto chegar à convenção, temos votos suficientes para derrubar essa ideia”, afirma. “Tenho respeito pelos emedebistas do Norte e do Nordeste, que são aliados do Lula, mas é a maioria que decide”, acrescenta.
Para Cobalchini, o melhor caminho é permitir que os diretórios estaduais definam suas estratégias conforme suas realidades locais. “Em Santa Catarina, estamos com o governador, e o sentimento da base é continuar no governo e nos fortalecer para disputar o Executivo em 2030”, enfatiza.
De acordo com ele, o MDB está muito tranquilo com essa situação. “Nós temos a palavra do governador, fazemos parte do Governo e estaremos juntos sim, na eleição, apresentando o candidato a vice”, conclui Cobalchini.






