A eleição estadual passa, cada vez mais, por Brasília

A movimentação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, rumo ao PSD, sob articulação direta do presidente da sigla, Gilberto Kassab, não é apenas um gesto partidário. É um sinal claro de que o centro-direita trabalha na construção de uma alternativa nacional para 2026, fora da polarização de extremos que marcou os últimos ciclos eleitorais. O fortalecimento do projeto pessedista também tem reflexo direto em Santa Catarina.
No plano nacional, o cenário começa a ganhar novos contornos. De um lado, o ex-presidente Jair Bolsonaro já lançou Flávio Bolsonaro (PL) como pré-candidato à Presidência. A iniciativa fortalece, automaticamente, o projeto de reeleição do governador Jorginho Mello, que aposta na chamada “verticalização” do PL: Flávio para o Planalto, ele para o governo do Estado e dois nomes do partido para o Senado: Carol de Toni e Carlos Bolsonaro.
Do outro lado, o PSD acelera seus movimentos. Kassab trabalha para consolidar uma candidatura competitiva de centro-direita, capaz de dialogar com eleitores cansados do embate permanente entre extremos. Nesse pacote entram nomes como Ronaldo Caiado, Ratinho Junior (PR) e Eduardo Leite (RS), todos com potencial eleitoral, gestão consolidada e perfil mais moderado.
Se a narrativa de que o país precisa reencontrar equilíbrio, diálogo e previsibilidade ganhar força, esse bloco pode se tornar altamente competitivo. E, nesse contexto, o impacto sobre os estados é inevitável.
João Rodrigues e a aposta na “terceira via” conservadora
Em Santa Catarina, quem acompanha de perto esse movimento é o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD). Pré-candidato ao governo, ele aposta justamente nessa alternativa nacional como parte central de sua estratégia.
Com uma candidatura presidencial do campo conservador moderado, o PSD catarinense ganha musculatura, estrutura e discurso. João passa a se apresentar não apenas como oposição local a Jorginho Mello, mas como parte de um projeto nacional articulado, com respaldo político e eleitoral.
Na prática, uma candidatura de Caiado, Ratinho ou Leite pode oferecer a João Rodrigues o palanque que hoje falta ao PSD no Estado: competitivo, viável e conectado com o eleitor que rejeita tanto o lulismo quanto o bolsonarismo mais radical.
Jorginho lidera
Por enquanto, Jorginho Mello lidera as pesquisas e monta um tabuleiro robusto. Além da aliança com o bolsonarismo, trabalha para consolidar uma chapa forte, que inclui a confirmação do prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como vice.
Nos bastidores também se discute uma possível composição nacional entre PL e Novo, com Romeu Zema (MG) na vaga de vice de Flávio Bolsonara. Um movimento que ampliaria ainda mais o alcance da candidatura do PL catarinense, mas que ainda depende da consolidação do cenário nacional.
Movimentações e diálogo
Neste cenário ainda há outros nomes e siglas a serem observados. O MDB que perdeu a vaga de vice para o NOVO na chapa de Jorginho abriu conversas com todas as siglas. A sigla que tem tradição de protagonismo em todas as eleições no estado também é sinônimo de força, organização e capilaridade eleitoral. Ativos que não podem ser ignorados.
O União Progressistas que vê cada vez mais distante a possibilidade de ter o senador Esperidião Amin na chapa de Jorginho Mello está cada vez mais perto do projeto pessedista em Santa Catarina.
Já a esquerda catarinense articula o palanque do presidente Lula (PT) em Santa Catarina e pode ter entre seus representantes o ex-deputado estadual Gelson Merisio, hoje no Solidariedade e disposto a concorrer ao governo. A alternativa garantiria a Décio Lima (PT) a vaga ao Senado.
Neste janeiro de ano eleitoral uma única palavra é compactuada em todos os projetos partidários: diálogo.







