O agro brasileiro mal abriu a porteira de 2026 e já precisou ligar o modo adaptação.

A reforma tributária saiu do papel e entrou na rotina do produtor, mesmo ainda em fase de testes.
No comércio exterior, a França decidiu apertar o cerco sanitário às frutas importadas, reacendendo o debate sobre barreiras disfarçadas em meio ao impasse do acordo Mercosul–União Europeia.
Ao mesmo tempo, o setor se organiza para um calendário intenso de feiras e eventos ao longo do ano, enquanto a pesquisa agropecuária avança com soluções regionais para reduzir custos e aumentar eficiência no campo.
O recado é claro: informação, planejamento e tecnologia serão decisivos em 2026.
Reforma tributária começa e o produtor precisa agir agora
Desde 1º de janeiro de 2026, o produtor rural passou a conviver com as novas obrigações da reforma tributária. Mesmo que a cobrança efetiva dos novos tributos ainda esteja em fase de transição, os ajustes operacionais são imediatos, especialmente na emissão de notas fiscais.
Nesta primeira etapa, entram em cena dois novos tributos:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — federal
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) — estadual e municipal
Eles formam o futuro IVA brasileiro. Em 2026, as alíquotas são simbólicas (1%), apenas para teste do sistema, sem recolhimento. Ainda assim, os valores precisam constar nas notas fiscais.
Segundo Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da CNA, quem não se adaptar corre risco operacional. Nota fora do padrão pode gerar entraves na comercialização e na apropriação de créditos tributários. A recomendação é clara: adequação agora para não travar vendas depois.
Nota fiscal vira ponto crítico da transição
A emissão correta da nota fiscal é tratada como o ajuste mais urgente.
O que o produtor deve fazer:
- Grande produtor: acionar a empresa fornecedora do sistema e exigir atualização imediata.
- Médio produtor: confirmar com o contador se o sistema já está adequado.
- Pequeno produtor: verificar se a Secretaria da Fazenda do Estado atualizou o sistema de nota avulsa ou nota fácil.
A CNA também lançou uma calculadora da reforma tributária para simular CBS e IBS, ajudando no planejamento de 2026.
França fecha mercado e acende alerta no agro brasileiro
Em meio ao impasse do acordo Mercosul–União Europeia, a França anunciou a suspensão da importação de frutas com resíduos de defensivos proibidos no bloco europeu. A medida atinge diretamente produtos da América do Sul, incluindo o Brasil.
Entre as substâncias citadas estão mancozebe, glufosinato, carbendazim e tiofanato-metílico.
Frutas como manga, uva, maçã, cítricos, melão, morango, abacate e batata passam a ser alvo de fiscalização reforçada.
O governo francês afirma combater concorrência desleal e proteger produtores locais. Para o agro brasileiro, o movimento soa como barreira sanitária com verniz ambiental, ainda mais em um momento em que França e Polônia lideram a resistência ao acordo Mercosul–UE.
Mercosul–UE: pressão aumenta em 2026
A decisão francesa ocorre enquanto o acordo comercial segue sem data para assinatura. Bruxelas admite avanço nas negociações, mas sem cronograma definido.
Mesmo representando apenas 0,8% das exportações brasileiras de frutas, a França funciona como termômetro político: o endurecimento tende a se espalhar pelo bloco europeu.
O agro entra em 2026 ciente de que exigências sanitárias e ambientais continuarão sendo usadas como instrumento de pressão comercial.
Agenda cheia: os principais eventos do agro em 2026
2026 será um ano de agenda intensa no agro brasileiro. Feiras e congressos funcionam como vitrines de tecnologia, negócios e formulação de políticas públicas.
Março concentra o maior número de eventos e São Paulo lidera em volume.
Janeiro
- Dinetec Canarana — 14 a 16/01 — Canarana (MT): inovação e manejo no Vale do Araguaia
- Show da Soja — 21/01 — Itaporã (MS): tecnologia e manejo da cultura
Fevereiro
- Show Rural Coopavel — 9 a 13/02 — Cascavel (PR)
- Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas — 24 a 26/02 — Capão do Leão (RS)
- Boi que Deixa Dinheiro — 25 e 26/02 — Cuiabá (MT)
- II Inovabio — 25 a 27/02 — São Paulo (SP)
Março (mês mais movimentado)
- Expodireto Cotrijal — 9 a 13/03 — Não-Me-Toque (RS)
- Farm Show MT — 10 a 13/03 — Primavera do Leste (MT)
- Show Safra — 23 a 27/03 — Lucas do Rio Verde (MT)
- Expoagro Afubra — 24 a 27/03 — Rio Pardo (RS)
- Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio — 30/03 — São Paulo (SP)
Abril
- Tecnoshow Comigo — 6 a 10/04 — Rio Verde (GO)
- Agrishow — 27/04 a 1/05 — Ribeirão Preto (SP)
- Expozebu — 24/04 a 02/05 — Uberaba (MG)
Maio
- AgroBrasília — 19 a 23/05 — Brasília (DF)
- Bio Summit — 6 e 7/05 — Campinas (SP)
Junho
- Bahia Farm Show — 8 a 13/06 — Luís Eduardo Magalhães (BA)
- Hortitec — 17 a 19/06 — Holambra (SP)
Agosto
- Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA) — 10/08 — São Paulo (SP)
- Expointer — 29/08 a 6/09 — Esteio (RS)
Novembro
- Semana Internacional do Café — 11 a 13/11 — Belo Horizonte (MG)
(Agenda estratégica para produtores, empresas, cooperativas e lideranças políticas do setor.)
Pesquisa catarinense transforma resíduo em solução
Enquanto o mercado aperta, a pesquisa entrega alternativas. A Epagri testa o uso da silagem de bagaço de maçã como suplemento para bovinos, especialmente no outono, quando a oferta de pasto cai.
O resíduo, abundante na Serra Catarinense, é energético, bem aceito pelos animais e pode reduzir custos com milho e soja. O ponto-chave é a conservação correta, via silagem por pelo menos 40 dias.
O estudo segue até 2026 e envolve análise nutricional, segurança reprodutiva e participação da Udesc. Ao final, a Epagri deve lançar um guia prático ao produtor. O próximo passo será mapear outros resíduos agroindustriais do Estado.
Informação virou insumo estratégico
2026 começa deixando claro que produzir bem continua essencial, mas não suficiente. Tributos mudam, mercados fecham, exigências aumentam. Quem se antecipa, planeja e se informa sai na frente.
A Política e Agro segue acompanhando cada movimento – porque, neste ano, informação também é produtividade.





