O Ano Internacional da Mulher Agricultora. Por Rui Schneider da Silva

Artigo de Rui Schneider da Silva, Presidente do Sicoob SC/RS

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), estima que 36% das mulheres ocupadas no mundo trabalham em sistemas agroalimentares. Dados mais recentes apontam que as mulheres representam 39,6% da força de trabalho agrícola global (agricultura, silvicultura e pesca). As mulheres que vivem em áreas rurais alimentam comunidades, protegem o meio ambiente e impulsionam o desenvolvimento sustentável e, por essas e outras razões, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora.

Esta data vem se somar à Década Interamericana pelos Direitos de Todas as Mulheres, Adolescentes e Meninas em Contextos Rurais (2024-2034). A ONU Mulheres destaca que, por gerações, mulheres em comunidades rurais têm exercido importante liderança e atuado em movimentos coletivos que se organizam na defesa da igualdade de direitos, da justiça climática e da transformação social. No entanto, se as tendências atuais continuarem, 351 milhões de mulheres e meninas ainda viverão em pobreza extrema até 2030.

A Declaração do Ano Internacional da Mulher Agricultora é, portanto, uma oportunidade para que os países definam políticas públicas e todos os setores da sociedade valorizem o papel feminino nos sistemas agroalimentares. O Brasil registrou crescimento de 38% nos estabelecimentos administrados por mulheres entre 1998 e 2020. Em Santa Catarina, mais de 1,8 milhão já são associadas a uma cooperativa. Dos 183 mil estabelecimentos rurais no estado, 170 mil são da agricultura familiar e cerca de 19 mil, são gerenciados por mulheres.

As instituições financeiras cooperativas têm apoiado as mulheres a superar os obstáculos, para que tenham mais acesso à terra, ao crédito, à assistência técnica e à tecnologia. Reduzir as lacunas de gênero, segundo a FAO, pode elevar o PIB mundial e diminuir a insegurança alimentar.

Apesar de todas as dificuldades, Santa Catarina apresenta o maior índice de mulheres à frente de propriedades rurais no país, e a dedicação do ano de 2026 a elas contribui para tirá-las da invisibilidade no campo e colocá-las em papel de protagonistas. Como celebra a ONU, as mulheres rurais são as guardiãs do futuro comum da humanidade.

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