O Mandato Pleno de uma Cadeira “Temporária”: Princípios, Suor e a Voz de Santa Catarina. Por Luiz Fernando Vampiro

Artigo de Luiz Fernando Vampiro, deputado federal

Muitos acreditam que a política é conveniência. Para mim, ela sempre foi feita de convicções. Quando assumi minha cadeira no Congresso Nacional como suplente, ouvi de muitos que eu seria apenas um figurante, um “tampão” para preencher uma lacuna institucional. Mas, dentro de mim, a chama da responsabilidade ardia com outra intensidade. Eu não estava ali para ocupar um espaço físico; eu estava ali para representar a alma e os valores do povo catarinense.

O Desafio da Invisibilidade

A vida de um suplente é, por definição, cercada de limitações. O poder de atuação em relação ao gabinete é restrito, o acesso às emendas é limitado e a sensação de transitoriedade pode ser um convite ao comodismo. Para exercer um mandato em sua plenitude nessas condições, é preciso mais do que um título: é necessária uma força de vontade inabalável, perseverança e, confesso, uma dose de “ousadia” para se meter em questões pontuais e fazer a voz ser ouvida onde antes havia silêncio.

Decidi, desde o primeiro dia, que meu mandato não seria medido pelo tempo de permanência, mas pela firmeza dos meus atos.

Lealdade aos Princípios, Não a Rótulos

Um dos momentos mais definidores da minha trajetória foi a conversa franca que tive com o líder do meu partido, o MDB, Isnaldo Bulhões. Fui claro e respeitoso: meu alinhamento é com o centro-direita e com os valores conservadores. Avisei que não seguiria orientações que ferissem meus princípios, mesmo que isso significasse ser excluído das reuniões de bancada.

Essa escolha teve um preço. Fui retirado das conversas internas porque sabiam que meu voto não era negociável; ele pertencia aos meus valores. Votei contra a Reforma Tributária, mesmo com o presidente nacional do meu partido sendo o relator, porque entendi que ela feria a autonomia dos nossos municípios e estados, sem contar que o IVA ficaria entre 32/33%, representando um dos maiores do mundo, catarinense não tem como ser favorável. Foi essa autonomia que me deu a liberdade para defender, com unhas e dentes, o direito à propriedade, a liberdade econômica e a vida desde a concepção.

Trabalho Além da Ideologia

Mas a política não se faz apenas com o “não”. É preciso construir. Mesmo sendo oposição ao governo atual — com mais de 85% de votos contrários — nunca me furtei de bater à porta dos ministérios para cobrar o que é de Santa Catarina.

Lutei pela infraestrutura, como na pauta de Morro dos Cavalos, e atuei fortemente na Comissão de Educação e em projetos de fomento aos pequenos negócios, como melhorias para o PRONAMP. Minha filosofia é clara: o sucesso de um governo deve ser medido pela quantidade de pessoas que saem do Bolsa Família porque conseguiram um emprego ou abriram seu próprio negócio, e não pelo aumento da dependência estatal.

A Recompensa do Dever Cumprido

Olho para trás e vejo que o esforço valeu a pena. Mantive 100% de presença em todas as 105 sessões deliberativas. Não faltei a uma única batalha. E o reconhecimento veio de forma técnica: quando a Gazeta do Povo analisou as 10 votações mais importantes para o conservadorismo em 2025 — abrangendo economia, direito à vida e propriedade — eu “gabaritei”. Tive 100% de alinhamento com esses princípios.

Isso mostra que é possível, sim, fazer política com ética, transparência e temor a Deus, colocando princípios bíblicos e institucionais acima de jogos de poder.

Encerrei o ano de 2025 de interinidade com o coração leve e a consciência tranquila. Não fui um substituto; fui um deputado pleno. Usei cada segundo para corrigir rumos e defender o que acredito. Entro em 2026 muito mais preparado para os desafios que o ano nos reserva, com a certeza de que a verdade e o trabalho honesto sempre encontram seu caminho.

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