A busca imediata por resultados estéticos com a chegada das altas temperaturas tem gerado um efeito colateral preocupante nas academias e parques do país: o aumento expressivo de lesões musculares e articulares. A corrida contra o tempo para alcançar um corpo definido em poucas semanas, somada ao calor intenso e à falta de preparo físico, tem levado muitos brasileiros a interromperem os planos de verão precocemente devido a dores no joelho, tornozelo, coluna e ombros.
A fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, mestre em Ciências Médicas, explica que o problema raramente está no exercício em si, e sim na forma como ele entra na vida da pessoa. “O verão incentiva o movimento, praia e atividades ao ar livre. Só que muita gente tenta compensar meses de sedentarismo com treinos intensos em poucas semanas. O corpo responde com dor, queda de desempenho e, em muitos casos, lesão”, afirma a especialista.
O risco da falta de progressão
O cenário é agravado pelo perfil sedentário de grande parte da população. Dados do Vigitel, do Ministério da Saúde, indicam que muitos adultos não atingem os níveis de atividade física recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere entre 150 e 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada.
“Quando a pessoa sai do zero para uma rotina acima do recomendado, sem progressão, a chance de sobrecarga cresce. E no calor, esse risco aumenta”, alerta Mariana. Segundo ela, embora o Brasil tenha um dos maiores mercados de academias do mundo, o acesso ao treino não substitui a orientação individualizada. “Em janeiro, muita gente começa com metas irreais, falta de descanso e técnica ruim. O resultado costuma aparecer como dor persistente e abandono do exercício”.
Perigos nos esportes de areia e na corrida
No consultório, os erros mais comuns envolvem o aumento súbito de volume e intensidade. Praticantes de corrida costumam ignorar sinais de fadiga, enquanto aqueles que buscam “secar” rapidamente combinam excesso de cardio com musculação, reduzindo o sono e abusando de estimulantes.
Até mesmo os esportes de praia, que ganham popularidade nesta época, escondem riscos para os despreparados. A areia exige mais estabilidade do tornozelo e do joelho, e os movimentos de explosão aumentam o risco de entorses e tendinopatias. “O corpo precisa de adaptação. Sem isso, o verão vira temporada de anti-inflamatório e gelo, não de saúde”, pontua a fisioterapeuta.
Checklist da Prática Segura:
Para aproveitar a estação sem riscos, a especialista recomenda quatro pilares:
- Progressão realista: Aumentos de carga e intensidade devem ser feitos ao longo de semanas.
- Fortalecimento e Mobilidade: Musculação planejada protege as articulações.
- Manejo do calor: Hidratação constante, roupas leves e escolha de horários com temperaturas amenas.
- Recuperação: O descanso é essencial para a regeneração dos tecidos. “Sem descanso, o ganho vira perda”, diz Mariana.
Quando procurar ajuda?
A dor nem sempre indica uma lesão grave, mas sinais como inchaço persistente, formigamento, perda de força, dor noturna ou incômodos que alteram a forma de caminhar exigem avaliação profissional. “Dor repetida e crescente sinaliza sobrecarga. A fisioterapia entra para avaliar padrão de movimento, corrigir compensações e ajustar treino para manter a pessoa ativa”, explica.
A conclusão para quem busca estética com saúde é trocar o atalho pelo planejamento. “O corpo muda com consistência. O verão pode ser o começo de um hábito, não um projeto de curto prazo”, finaliza Mariana Milazzotto.





