
A nota oficial divulgada na última quinta-feira pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, não foi escrita para saciar a ansiedade da política nem para responder ao apetite da imprensa por gestos imediatos. Foi escrita para cumprir uma função menos popular e mais estratégica: preservar a reputação institucional da Corte.
Em meio à pressão para que o tribunal se posicionasse de forma mais enfática sobre a atuação do ministro Dias Toffoli no caso Master, Fachin optou por um pronunciamento contido. A escolha frustrou expectativas, mas deixou claro um recado essencial: o Supremo não pretende tratar tensões internas sob a lógica do espetáculo público.
É compreensível que, diante de denúncias graves, surja a cobrança por respostas rápidas, simbólicas e firmes. Mas os tribunais constitucionais não operam sob a lógica do imediatismo. Quando uma Corte se expõe a disputas públicas internas, o desgaste não recai apenas sobre os envolvidos diretamente. Ele atinge a própria autoridade da instituição, que depende de algo cada vez mais raro no ambiente político brasileiro: confiança.
Se as denúncias que hoje rondam o Supremo são graves, ainda mais sérias podem ser as consequências de um enfraquecimento institucional contínuo. A linha entre transparência e espetacularização é tênue. Quando ultrapassada, costuma corroer não apenas reputações individuais, mas a credibilidade do sistema como um todo. Um STF fragilizado publicamente pode perder capacidade de arbitrar conflitos, de impor decisões e de funcionar como um dos pilares da democracia.
Nesse contexto, a nota de Fachin não deve ser lida como omissão ou blindagem automática. Foi contenção. Um cálculo institucional que parte do princípio de que nem toda crise se resolve em praça pública e que nem todo posicionamento precisa atender à lógica da reação imediata. Em certos momentos, falar menos é uma opção melhor para preservar algo mais importante.
O desconforto provocado por essa postura revela a dificuldade crescente de lidar com limites institucionais em um debate público acostumado ao ruído constante. Reputação institucional não se constrói no calor da manchete. Em momentos de tensão, compreender o cenário, os riscos e os efeitos de cada movimento é essencial para não transformar um problema grave em uma crise ainda maior.
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