Gilberto Kassab surpreendeu até os mais bem informados no meio político ao anunciar na noite de terça-feira a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (ex-União Brasil), ao PSD. A aquisição foi anunciada pelo goiano em vídeo ao lado de outros dois governadores do PSD que se apresentam como pré-candidatos à presidência da República, Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), e lida corretamente como uma solidificação da proposta pessedista de realmente ter uma candidatura ao Planalto.

Em ano de eleição presidencial é assim mesmo, todos os olhos e ouvidos ficam treinados para as tramas da disputa maior. Antes de Caiado, o PSD tinha em Ratinho Junior como um nome mais palatável à direita do que Eduardo Leite – que é rejeitado por lulistas e bolsonaristas em quase igual medida. No União Brasil federado ao Progressistas, o governador de Goiás tinha chances mínimas de concorrer. No PSD, o ficha um continua sendo o colega do Paraná, mas a jogada firma a ideia de que, pelo menos, o 55 deve estar na urna.
Presidente nacional do PSD e articulador político do partido, Gilberto Kassab sorri à toa. Enquanto parte dos partidos que integram informalmente o chamado Centrão ainda alimentavam alguma esperança de conseguir trazer o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) para a corrida presidencial liderando uma frente com todas as legendas do centro à direita, o líder pessedista tratou de cavar o espaço do PSD nessa disputa: a alternativa a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Por trás do sorriso de Kassab, no entanto, há um jogo maior do que a presidência – se é que isso parece possível. Ano passado, em reportagem da revista Piauí sobre sua trajetória e estilo de fazer política, o pessedista falou de seus planos de consolidar o PSD como um partido que esteja vivo e forte nos próximos 100 anos da política brasileira. Os movimentos de Kassab nos Estados mostram que 2026 pode ser o ano emblemático desse centenário.
No último ano, ele trouxe para a legenda três governadores – Caiado, Leite e Raquel Lyra, de Pernambuco. Eles se somaram a Ratinho Junior e a Fabio Miditieri, de Sergipe. Com cinco governadores, o PSD é hoje o partido que mais comanda Estados. Essas máquinas pesam na disputa presidencial, mas são essenciais na conquista de bancadas fortes na Câmara dos Deputados.
Quando Eduardo Leite e Raquel Lyra se filiaram ao PSD, ambos fizeram movimentos de filiação de lideranças à nova legenda trazendo, cada um, mais de 30 prefeitos. Nomes fortes de ambos os governos e parlamentares atualmente com mandato devem migrar para o partido. É natural que Caiado faça movimento semelhante em Goiás. Para dimensionar o que isso pode significar em termos de crescimento do partido nesses três Estados, basta registar que em 2022 o PSD gaúcho e o goiano conquistaram apenas uma cadeira de deputado federal cada e o PSD pernambucano nem isso.
Antes dessas filiações de governadores, o PSD já havia sido o partido que mais elegeu prefeitos no Brasil – 891 -, desbancando uma posição que tradicionalmente era ocupada pelo MDB. Esse time vem com tudo para 2026 – mais de olho na base do que no topo.
Na atual Câmara dos Deputados, o PSD é uma força relevante, mas não tem o peso da federação União Progressista (somando as bancadas de União Brasil e Progressistas), PL e PT – os condutores da polarização política nacional. Os movimentos de Kassab que parecem mirar o Planalto, podem ter seu grande efeito na construção das bancadas de deputado federal e senador.
Kassab sorri porque enquanto Lula e a família Bolsonaro disputam a presidência, ele constrói nos Estados a possibilidade de eleger bancadas que tornem o PSD a maior força política fora da polarização.






