O agro brasileiro fecha a semana com um recado claro: não há futuro produtivo sem protagonismo feminino.

O reconhecimento internacional veio na forma de política pública global e Santa Catarina já está em campo há anos, transformando discurso em ação.
A decisão da ONU de declarar 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora não é simbólica. É estratégica. Amplia o debate sobre acesso a terra, crédito, tecnologia, capacitação e liderança e coloca as mulheres no centro da segurança alimentar, da inovação e da sucessão no campo.
E, quando o tema é protagonismo, Santa Catarina não apenas acompanha: antecipa.
ONU declara 2026 o Ano Internacional da Mulher Agricultora
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas declarou 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, com coordenação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura.
O objetivo é direto: reconhecer o papel essencial das mulheres na produção de alimentos e estimular governos a reduzirem desigualdades históricas no meio rural, ampliando o acesso feminino a terra, crédito, assistência técnica, tecnologia e espaços de decisão.
Dados globais da FAO mostram que, embora as mulheres tenham participação decisiva nos sistemas agroalimentares, elas ainda enfrentam barreiras estruturais que limitam produtividade, renda e autonomia. Corrigir essa distorção não é apenas justiça social: é estratégia econômica e de segurança alimentar.
Santa Catarina já faz e colhe resultados
Em Santa Catarina, a agenda não começou agora. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina – FAESC e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Santa Catarina – Senar/SC – desenvolvem, há anos, ações estruturadas de valorização da mulher no campo.
O presidente das duas instituições, José Zeferino Pedrozo, reforça que formação feminina gera resultado direto na gestão, na renda e na sustentabilidade das propriedades.
Projetos como o Mulheres do Agro ampliam capacitação técnica, gestão e empreendedorismo – com impacto mensurável no campo.
Artigo de Pedrozo: valorização que vira política pública
No artigo “Valorização da mulher no agro”, Pedrozo defende que o Ano Internacional da Mulher Agricultora deve produzir legado permanente, não apenas celebração.
Ele destaca que:
- o acesso desigual a recursos produtivos gera perda econômica;
- a formação feminina acelera inovação e eficiência;
- políticas públicas precisam sair do discurso e virar metas verificáveis.
O texto também ressalta o papel do Sistema Faesc/Senar na construção de oportunidades reais, mostrando que quando há acesso, qualificação e confiança, há transformação concreta no campo.
“O Ano Internacional da Mulher Agricultora só fará sentido se produzir legado permanente: direitos assegurados, acesso igualitário a recursos, renda, governança inclusiva e cadeias mais eficientes. Com coordenação internacional e compromisso nacional, 2026 pode ser o ponto de virada para consolidar a presença feminina como força decisiva da agricultura contemporânea, da agricultura familiar às exportações, da inovação à segurança alimentar. A FAESC seguirá atuando para que essa agenda se converta em oportunidades reais, reconhecendo e fortalecendo quem sempre esteve na base e no comando da produção de alimentos: as mulheres do campo”, destacou Pedrozo.
Embrapa Gado de Corte faz história com liderança feminina
O protagonismo feminino também avançou na ciência. A Embrapa Gado de Corte, com sede em Campo Grande (MS), iniciou 2026 sob nova liderança: Mariana Aragão Pereira, a primeira mulher a comandar a unidade.
Zootecnista, doutora com formação internacional, Mariana assume com foco em sustentabilidade, inovação, capacitação e transformação digital. A proposta é clara: mais dados, menos achismo; tecnologia como aliada; e sustentabilidade com prova técnica.
À frente do programa nacional de Boas Práticas Agropecuárias (BPA), ela aposta em gestão eficiente, capacitação contínua e parcerias com SENAR, universidades e setor privado para levar inovação também ao pequeno e médio produtor.
Tania Zanella: liderança feminina no coração do cooperativismo
No cooperativismo, o protagonismo feminino tem nome e sobrenome: Tania Zanella.
Catarinense, ela é presidente executiva do Sistema OCB, primeira mulher a ocupar o cargo, lidera o Instituto Pensar Agropecuária – IPA e integra a lista das 100 Mulheres Mais Poderosas do Agronegócio, segundo a Forbes.
Para Tania, diversidade não é bandeira, é estratégia:
“Quando uma cooperativa valoriza a mulher agricultora, fortalece todo o negócio. Diversidade amplia visão estratégica e capacidade de resposta.”
Ela destaca que, embora as mulheres já representem parcela relevante dos cooperados, ainda há desafio na ocupação de cargos de governança. A solução passa por comitês de mulheres, capacitação, políticas de equidade e cultura organizacional inclusiva.
Epagri aposta em mulheres e jovens para garantir sucessão no campo
A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina também colocou o protagonismo feminino no centro da estratégia.
Em 2025, a Epagri investiu R$ 3,2 milhões na formação de jovens e mulheres. O programa Flor-E-Ser capacitou 368 mulheres em gestão, empreendedorismo e cooperativismo. Desde 2019, mais de 700 mulheres já passaram pela iniciativa.
Já os programas Ação Jovem Rural e do Mar capacitaram mais de 3,2 mil jovens desde 2012, enfrentando um dos maiores gargalos do agro: a sucessão familiar.
O presidente da Epagri, Dirceu Leite, resume:
“Essas ações garantem continuidade da produção, renovação geracional e fortalecimento da agricultura familiar e da pesca em Santa Catarina.”
Queijo de Santa Catarina entre os melhores do mundo
O protagonismo catarinense também passa pela agroindústria artesanal. O Queijo Morro Azul, da Queijos Pomerode, foi o único brasileiro incluído na lista dos melhores queijos do mundo de 2026, publicada pela Culture Magazine, dos Estados Unidos.
A seleção considerou os resultados das principais competições internacionais, como o World Cheese Awards e o Mundial do Queijo do Brasil. Mais do que prêmio, o reconhecimento confirma que qualidade, identidade e valor agregado também são liderança.
Onde elas lideram, o campo floresce
O agro fecha a semana com uma constatação simples e poderosa: inclusão gera resultado.
Mulheres lideram pesquisa, cooperativismo, gestão, sucessão e inovação e Santa Catarina prova isso com dados, políticas e exemplos concretos.
Se 2026 será o Ano Internacional da Mulher Agricultora, o campo brasileiro já começou antes.
E quando elas lideram, o agro avança.
Bom fim de semana, agroamigos e agroamigas!





