Enquanto parte do país ainda tropeça em burocracia, o agro resolveu fazer o dever de casa.

No Congresso, a formalização do trabalho temporário avança com consenso raro.
Nos portos, Santa Catarina consolida protagonismo logístico. E nas exportações, o Brasil segue vendendo comida para o mundo – inclusive fruta, com cada vez mais peso catarinense.
Não é coincidência. É engrenagem funcionando.
Safristas: FPA constrói solução para formalizar o trabalho temporário no campo
Depois de quase dois anos de articulação política, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) conseguiu destravar um dos gargalos históricos do meio rural: a informalidade do trabalho sazonal.
O PL 715/2023, conhecido como Projeto dos Safristas, compatibiliza o contrato de safra com a manutenção de benefícios sociais, permitindo que o trabalhador assine carteira sem perder acesso a programas como o Bolsa Família. A proposta é simples na ideia, mas profunda no impacto: dá segurança jurídica para o empregador e proteção social para o trabalhador.
O projeto foi apresentado na Câmara pelo deputado Zé Vitor (PL-MG) e relatado na Comissão de Agricultura pelo deputado Evair de Melo (PP-ES). Aprovado no Plenário da Câmara em 2024, seguiu para o Senado, onde recebeu aval unânime em dezembro de 2025, sob relatoria do senador Jaime Bagattoli (PL-RO).
Com a aprovação na Casa Alta, o texto retorna agora à Câmara para a etapa final antes da sanção presidencial.
Quem celebrou, e com razão, foi o deputado catarinense Rafael Pezenti (MDB-SC), um dos apoiadores da proposta.
“Isso dá mais segurança para o trabalhador e para o empregador. É uma grande vitória para quem vive e trabalha no campo”, afirmou.
Na prática, o projeto enfrenta o problema real da escassez de mão de obra no período de colheita e tira o trabalhador da informalidade sem puni-lo por trabalhar. Algo básico, e justamente por isso, histórico.
Portos de SC aceleram e reforçam a vocação logística do estado
Enquanto o Congresso organiza o trabalho no campo, Santa Catarina acelera no cais.
Em 2025, os portos catarinenses movimentaram 65,7 milhões de toneladas, crescimento de 4,78%, acima da média nacional. Com isso, o estado se consolida como segundo maior movimentador de contêineres do Brasil, atrás apenas de São Paulo, com o Porto de Santos.
O governador Jorginho Mello foi direto:
“Estamos modernizando, revitalizando e ampliando a capacidade dos nossos portos. Os números mostram que estamos no caminho certo.”
Pela primeira vez, Santa Catarina ultrapassou a marca de 3 milhões de TEUs, respondendo por 20,5% da movimentação nacional de contêineres.
São Francisco do Sul lidera e Itapoá projeta novo salto
Em carga geral, São Francisco do Sul liderou a movimentação estadual, com 17,5 milhões de toneladas. Já no segmento de contêineres. Itapoá assumiu protagonismo, com 1,5 milhão de TEUs, consolidando-se como o maior terminal privado do país.
E o horizonte segue aberto. O novo terminal portuário de Itapoá (TUP Coamo) projeta iniciar operações em 2030, com capacidade para 11 milhões de toneladas por ano e geração estimada de R$ 117 milhões anuais em receitas públicas até 2035.
O efeito colateral positivo já aparece: pressão sobre galpões logísticos, vacância abaixo de 5% e valorização acelerada no entorno da BR-101.
Logística, aqui, não é discurso, é ativo econômico.
Exportações de frutas batem recorde e SC amplia protagonismo
No agro que vai além do grão, as exportações brasileiras de frutas alcançaram US$ 1,45 bilhão em 2025, terceiro recorde consecutivo, segundo a Abrafrutas. Crescimento de 12% em valor e quase 20% em volume, mesmo em cenário global mais duro.
Santa Catarina aparece com força. O estado lidera as exportações nacionais de banana, com crescimento de 103% no volume embarcado em 2025, e consolida a maçã em mais de 25 mercados internacionais.
A certificação na origem e o despacho direto pelo Porto de Imbituba deram agilidade, reduziram custo e aumentaram competitividade.
Aqui, logística e produção conversam e o resultado aparece na balança.
PNPB fecha o ciclo com renda no bolso do produtor
Fechando a engrenagem, o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) reforçou o papel da agricultura familiar. Em 2025, a Cooperalfa destinou R$ 4,7 milhões em bônus a mais de 5,1 mil produtores cooperados, dentro das regras do programa federal.
Mais que complemento financeiro, o PNPB conecta energia renovável, organização cooperativista e renda no campo, com pagamento direto, previsibilidade e reconhecimento ao produtor.
Quando a política destrava, o agro anda
O PL dos Safristas mostra que, quando o Congresso entende o campo, a solução aparece. Os portos catarinenses provam que infraestrutura gera competitividade. As frutas confirmam que o Brasil segue alimentando o mundo. E o cooperativismo fecha a conta no interior.
No agro, nada anda sozinho. Trabalho formal, logística eficiente e mercado aberto formam a mesma cadeia.
E Santa Catarina, mais uma vez, aparece onde o jogo está acontecendo.





