O relógio eleitoral de 2026 já começou a contar, e os primeiros três meses de 2025 nos dão pistas importantes sobre quem está realmente se preparando para jogar — e quem ainda está assistindo da arquibancada.
Acompanhamos neste primeiro trimestre a evolução das redes sociais dos principais pré-candidatos à Presidência da República. A metodologia foi simples: dados coletados pelo FanpageKarma, uma ferramenta com teste gratuito que permite comparar o desempenho digital de perfis públicos de maneira objetiva. Reações, curtidas, comentários. Engajamento bruto, sem firula.
E nesse cenário, algumas tendências se destacam.
Jair Bolsonaro começou o ano em alta, teve uma queda significativa em fevereiro, mas retomou fôlego em março. Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, também se recuperou no mês passado e voltou à casa dos 9 milhões de interações mensais — patamar semelhante ao de janeiro. Mas quem realmente deu um salto foi Tarcísio Gomes de Freitas, governador de São Paulo, que apresentou a evolução mais expressiva desde o início do ano.
Evolução do número de reações, curtidas e comentários no Instagram oficial de cada pré-candidato:

No outro extremo do ranking, Pablo Marçal teve a maior queda proporcional entre janeiro e março. Mas é justamente aí que o dado começa a enganar quem olha só os gráficos.
Zema, Caiado e Ratinho Junior seguem ali na faixa dos 1,5 milhão de engajamentos/mês — e raramente saem dela. Já Lula e Tarcísio, quando observamos os percentuais relativos ao engajamento total entre todos os perfis analisados, mostram uma trajetória de crescimento consolidada. Lula assume a vice-liderança em março, muito provavelmente fruto de uma nova fase na comunicação digital do governo, enquanto Tarcísio encosta em Eduardo Bolsonaro.
Evolução do share de reações nos instagrams dos pré-candidatos a presidente:

Mas quem entendeu o jogo de 2026 não está olhando só pra engajamento.
Pablo Marçal, apesar da queda nos números brutos, é hoje quem tem o público mais recorrente nos canais. É também, ao lado de Ratinho Junior, quem posta com mais frequência. A diferença é que Marçal não está apenas postando — está construindo. Enquanto os outros pré-candidatos seguem tateando o que fazer com suas redes, ele já criou uma estrutura de comunicação direta que funciona em paralelo e, muitas vezes, melhor que as plataformas tradicionais.
Lives diárias às 4h59 da manhã com alta média de público, rede de distribuição organizada via WhatsApp, produção contínua de conteúdo pensado para manter a base aquecida — e não apenas para gerar alcance superficial. Essa é a diferença entre ter seguidor e ter comunidade.
É improvável que vejamos mudanças bruscas nos próximos meses em termos de engajamento bruto. A maioria dos pré-candidatos já tem boas redes, bom conteúdo, públicos bem definidos. A disputa agora é outra: entender que o jogo não se ganha com o melhor post do dia, mas com a construção de canais próprios, de rotinas digitais sólidas e de presença frequente — não só visível, mas percebida.
Enquanto uns ainda brigam por like, Marçal segue construindo uma estrutura de campanha digital com a naturalidade de quem entendeu que, em 2026, o jogo será jogado em outro campo.
E, por enquanto, ele está jogando praticamente sozinho.